Para Sarkozy, mundo árabe não vê Kadafi como ditador

O presidente francês, Nicolas Sarkozy,defendeu na quarta-feira a visita do líder líbio Muamar Kadafià França, afirmando que Kadafi não é considerado um ditador nomundo árabe. A primeira visita de Kadafi à França em 34 anos está sendoacompanhada pela assinatura de vários acordos comerciais, egrupos de defesa dos direitos humanos acusaram Sarkozy, juntocom os socialistas da oposição, de colocar os interesseseconômicos à frente dos direitos humanos. Sarkozy convidou Kadafi para ir à França depois dalibertação pela Líbia, em julho, de seis profissionais do setorda saúde acusados de infectar crianças líbias com o vírus HIV,e que estavam sendo ameaçados pela pena de morte. O governofrancês ajudou a mediar o acordo. "Kadafi é o chefe de Estado há mais tempo no poder naregião, e, no mundo árabe, isso é importante", disse Sarkozy àrevista Le Nouvel Observateur. "Tenho a convicção de que aFrança deve conversar com todo mundo, mantendo-se sempre firmenos valores que defende." Kadafi assumiu o poder em 1969, depois de um golpe militar. As relações da Líbia com o Ocidente melhoraram depois que opaís acabou com os programas de armas de destruição em massa,em 2003, e concordou em pagar indenização às famílias dasvítimas de atentados contra aviões norte-americanos efranceses. Mas o grupo Anistia Internacional afirmou que o retorno daLíbia à comunidade internacional tem de oferecer em troca umacooperação real em termos de direitos humanos, além do ladocomercial. "O presidente Nicolas Sarkozy não pode ficar satisfeito como fechamento de acordos comerciais sem obter ao mesmo tempomedidas concretas para uma melhoria real dos direitos humanosna Líbia", disse o grupo em nota. (Por Kerstin Gehmlich)

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