Para UE e Irlanda, é preciso mais tempo para debater tratado

Premiê afirma que é cedo para definir novo plebiscito; Barroso diz que mudanças no documento são 'difíceis'

Agências internacionais,

19 de junho de 2008 | 09h01

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse nesta quinta-feira, 19, em Bruxelas que ele e o primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, concordam que a União Européia (UE) não deve tomar decisões apressadas para solucionar a crise desencadeada pela rejeição dos eleitores irlandeses ao Tratado de Lisboa.   Veja também: Holandeses votariam contra o Tratado de Lisboa, diz pesquisa Entenda o referendo na Irlanda e o Tratado de Lisboa   Reunido com Durão Barroso antes do início da reunião de cúpula, Brian Cowen disse nesta quinta-feira que a Irlanda precisa de mais tempo para analisar o resultado do referendo realizado na semana passada. De acordo com ele, "ainda é cedo demais para dizer" se a Irlanda poderia realizar uma nova votação.   Barroso considerou ainda "extraordinariamente difícil" fazer mudanças nas instituições da UE para acomodar a Irlanda após o país ter rejeitado o Tratado de Lisboa. Porém, durante entrevista coletiva com o primeiro-ministro da República da Irlanda, Brian Cowen, os dois concordaram com a necessidade de "respeitar o voto dos irlandeses". "Uma mudança institucional é extraordinariamente difícil. O Tratado foi amplamente negociado pelos 27 membros do bloco", afirmou Barroso ao lado de Brian Cowen, com quem se reuniu para estudar as conseqüências do resultado negativo do referendo da semana passada.   Durão Barroso sugeriu que a próxima reunião de cúpula da UE, marcada para outubro, será "a ocasião adequada" para discutir a forma de seguir adiante, dando a entender que nenhuma decisão importante com relação ao tratado será tomada na reunião de cúpula da UE iniciada em Bruxelas. No entanto, Barroso insistiu em que os sete países que ainda não ratificaram o Tratado de Lisboa devem ter oportunidade de fazer ouvir sua opinião, que "também deve ser respeitada".   O Tratado de Lisboa foi ratificado pela via parlamentar por 19 países da UE, o último deles o Reino Unido, quando a Rainha Elizabeth II ratificou o documento. Londres deixou claro que o acordo europeu não pode ser implantado se não houver a aprovação dos 27 membros. Alguns ministros ainda disseram que se opõem à opinião de alguns Estados europeus que querem continuar com a ratificação deixando a Irlanda de fora, alegando que isso pode dividir o continente.   A chanceler alemã, Angela Merkel, também insistiu na necessidade da ratificação dos 27 países-membros do bloco. Segundo a AFP, ela ainda reiterou que a situação não pode provocar um novo bloqueio na UE. "A Europa não pode se permitir uma nova fase de reflexão, e o Conselho Europeu deve adotar uma decisão o mais breve possível", afirmou. Merkel defendeu ainda a continuidade do processo de ratificação nos demais países.   Segundo o jornal espanhol El Pais, o premiê José Luis Rodríguez Zapatero fez uma mensagem clara na véspera do encontro europeu. "O 'não' da Irlanda não vai parar a Europa em seu processo de integração", afirmou o primeiro-ministro em uma rádio espanhola. "Temos que escutar o que o governo irlandês tem em mente, mas também devemos ter a resposta preparada para prosseguir com a integração", afirmou. A Espanha ainda não ratificou o documento.

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