Parlamentares britânicos desistem de reeleição após escândalo

Um deles usou US$ 2,6 mil de dinheiro público para construir casa para patos em sua fazenda no Reino Unido

Agência Estado,

23 de maio de 2009 | 22h31

Dois deputados do Partido Conservador britânico, de oposição, e um do Partido Trabalhista, do governo, anunciaram neste sábado que não vão tentar reeleger-se nas próximas eleições parlamentares, depois de revelado que eles usaram recursos públicos para fins particulares.

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O deputado Peter Viggers tentou incluir em sua conta de despesas oficiais um gasto de US$ 2.600 com a construção de uma casinha para patos em sua fazenda. "Fiz um grave e ridículo erro de julgamento. Estou envergonhado e humilhado e peço desculpas". Além dos gastos com a casinha dos patos, nos últimos três anos Viggers tentou obter reembolso dos cofres públicos por US$ 47.660 por despesas com jardinagens em suas propriedades.

O deputado conservador Andrew McKay anunciou que não disputará um novo mandato; há poucos dias, depois de revelado que ele recebia um auxílio-moradia do Parlamento, embora já tivesse sua própria residência em Londres.

No começo da semana, McKay havia renunciado ao posto de assistente especial do líder do Partido Conservador, David Cameron. "Acredito que eu seria uma distração, num momento em que David está trabalhando para eleger-se primeiro-ministro", afirmou McKay. Sua mulher, a também deputada Julie Kirkbride, do mesmo partido, também está sendo pressionada a renunciar. Organizadores da campanha disseram que esperam reunir até o começo de junho 10 mil adesões de eleitores a um abaixoassinado exigindo que ela deixe o cargo.

Já o deputado Ian McCartney, ex-presidente do Partido Trabalhista, disse neste sábado que não tentará a reeleição, por "motivos de saúde". Na semana passada, McCartney havia anunciado que devolveu aos cofres públicos US$ 23.800 que havia usado para pagar por copos de vinho e champanha, sofás e outros objetos de luxo.

O escândalo começou há duas semanas, quando o jornal Daily Telegraph publicou que 200 dos 646 membros do Parlamento haviam usado verbas públicas para fins particulares.

O caso levou ao anúncio da renúncia do presidente da Câmara dos Comuns, Michael Martin; é a primeira vez em 300 anos que um presidente do Parlamento britânico se vê obrigado a renunciar ao cargo.

A última revelação, na edição deste sábado do Telegraph, é a de que o porta-voz do Partido Conservador para assuntos econômicos, Jonathan Djanogly, terá que devolver aos cofres públicos US$ 40 mil usados em reformas em sua propriedade rural.

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