Parlamentares rebeldes franceses ameaçam se abster em voto de confiança ao governo

Parlamentares socialistas rebeldes do partido governista francês podem se abster no voto de confiança, marcado para 16 de setembro, sobre a reformulação do governo do presidente François Hollande, disse um dos políticos nesta terça-feira, em uma medida que ameaçaria a maioria de seu partido no Parlamento.

REUTERS

09 de setembro de 2014 | 10h13

A votação da semana que vem será realizada após duras semanas para Hollande, que demitiu ministros dissidentes, viu seus índices de aprovação chegarem a recordes mínimos e teve que lidar com a publicação de um livro de memórias de sua ex-mulher, Valérie Trierweiler.

O primeiro-ministro de Hollande, Manuel Valls, está agora em seu segundo governo desde sua indicação em abril passado e enfrenta uma dura batalha para manter o apoio parlamentar necessário para aprovar o orçamento de 2015 e as reformas trabalhistas no país.

Um voto de não-confiança na semana que vem pode forçar Hollande a dissolver o Parlamento e convocar novas eleições - um cenário que os principais políticos socialistas ainda consideram improvável, apesar da crescente revolta dentro do partido com o comando centralizador do presidente.

“Estamos nos orientando para uma abstenção em grupo”, disse a repórteres Christian Paul, um dos parlamentares rebeldes.

“Nós acreditamos que seja impossível impor esta unanimidade superficial sobre o agrupamento socialista.”

Paul não disse quantos parlamentares rebeldes estavam preparados para se abster. O número variou de 11, para o voto de confiança ao primeiro governo de Valls em abril, até 41, para o voto no fim daquele mês sobre os cortes de gastos públicos até 2017.

Com 289 assentos, o Partido Socialista tem a maioria no Parlamento por apenas 1 assento e pode contar com os votos do grupo pró-reformas Esquerda Radical, que tem 17.

“Estou certo de que haverá uma maioria muito, muito confortável de legisladores socialistas que apoiará Manuel Valls”, disse à rede de televisão France 2 Jean-Marie Le Guen, ministro responsável pelas relações com o Parlamento.

O índice de aprovação de Hollande caiu para 13 por cento, menor patamar para qualquer presidente da época moderna francesa, por conta de seu fracasso em promover crescimento e em gerar empregos.

No entanto, a Constituição da França dá ao presidente o poder de continuar até o fim de seu mandato de cinco anos, governando por decreto caso necessário. Além disso, legisladores socialistas sabem que se eles forçarem uma dissolução provavelmente devem perder seus assentos em novas eleições, o que poderia desmotivar a rebeldia.

(Por Chine Labbe)

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