Parlamento ataca presidente polonês por criticar tratado da UE

Chefe de governo diz que ratificar Constituição européia é 'sem sentido' após rechaço da Irlanda em plebiscito

Agências internacionais,

01 de julho de 2008 | 10h30

O Parlamento polonês criticou o presidente Lech Kaczynski pelas declarações de que ratificar o tratado de reforma da União Européia após os eleitores irlandeses terem rejeitado o documento em referendo no mês passado será algo "sem sentido". Os parlamentares pediram para que Kaczynski aprove o Tratado de Lisboa, pois sua atitude "mais uma vez colocar em dúvida a reputação do país".   Veja também: França assume imigração e rejeição a tratado Presidente polonês diz que tratado não faz sentido Entenda o referendo e o Tratado de Lisboa   Na entrevista, publicada na página de internet do jornal Dziennik, Kaczynski disse não saber o que vai acontecer agora com o Tratado, mas ressaltou que "não é sério" afirmar que a UE não pode continuar existindo sem ele. Vários políticos reprovaram a atitude do presidente, que disseram "mais uma vez colocar em dúvida a reputação do país". Segundo a agência France Presse, o ministro francês de Relações Exteriores afirmou que Paris espera discutir com Varsóvia uma saída para o impasse provocado pelas declarações de Kaczynski.   O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, assegurou que o país tem interesse em adotar o tratado apesar do rechaço irlandês. "É difícil aceitar uma situação em que a Polônia se colocaria na mesma situação problemática da Irlanda", afirmou. Segundo uma pesquisa, cerca de três quartos da população polonesa apóiam o Tratado de Lisboa e rejeitam sua renegociação.   Os comentários do presidente polonês foram publicados no mesmo dia em que a França assumiu a presidência rotativa da União Européia, que exercerá por seis meses. A Irlanda, único país do bloco que submeteu o Tratado de Lisboa a uma votação popular, rejeitou o documento no referendo de 12 de junho. O parlamento polonês aprovou por unanimidade o Tratado de Lisboa em abril e enviou o documento para ser ratificado pelo presidente. O fato, no entanto, é que Kaczynski ainda não assinou o Tratado.   O presidente do Parlamento polonês, o liberal Bronislaw Komorowski, acusou o conservador nacionalista Kaczynski de "brincar com fogo". "As declarações do presidente me preocupam, pois a Polônia deveria fazer parte dos países que ajudam a Irlanda a superar sua crise, ratificando o mais rápido possível o Tratado", disse Komorowski em declarações a vários meios de comunicação poloneses.   Os líderes europeus concordaram que os países integrantes do bloco devem continuar a ratificar o documento e adiaram as decisões sobre como a questão será resolvida na Irlanda até outubro. Mas Kaczynski rejeitou sugestões de que a rejeição do tratado possa significar o fim político do bloco de 27 nações.   O presidente francês Nicolas Sarkozy disse no mês passado que o bloco precisa parar de aceitar novos integrantes até que a crise política provocada pela rejeição irlandesa seja resolvida. O tratado, que levou vários anos para ser elaborado e aceito, foi assinado no ano passado pelos líderes europeus na capital portuguesa e tem como objetivo agilizar o processo de decisões no bloco, institui a figura do presidente europeu e indica um ministro para conduzir a política externa conjunta. Além disto, amplia os poderes europeus para lidar com questões como imigração, terrorismo e criminalidade.   O Tratado de Lisboa só poderá entrar em vigor em 2009 se for ratificado por todos os 27 países que atualmente integram o bloco. Até agora, 18 países ratificaram o documento nos seus parlamentos.

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