Parlamento britânico aprova pesquisa com embriões híbridos

O Parlamento britânico aprovou nasegunda-feira a criação de embriões híbridos (humano-animais),o que segundo alguns cientistas seria essencial para encontrara cura de várias doenças, embora para outros seja umaaberração. Isso mantém a Grã-Bretanha na liderança mundial daspesquisas com células-tronco. Pesquisas com embriões híbridossão proibidas em países como Austrália, França, Alemanha eItália. Após horas de acalorado debate, o Parlamento rejeitou por336-176 votos um projeto que proibia pesquisas em que o DNA deseres humanos é colocado em células derivadas de animais. A lei de fertilização humana e embriologia proíbe atransferência desses embriões híbridos para mulheres ouanimais, e limita seu uso a um prazo de 14 dias. Esse tipo depesquisa enfrenta resistência de alguns membros católicos dogoverno. Mas o primeiro-ministro Gordon Brown argumentourecentemente, num artigo de jornal, que os embriões ditos"mistos" seriam necessários "caso queiramos manter a pesquisacom células-tronco e trazer novas curas e tratamentos paramilhões de pessoas". Não houve orientação partidária na votação desegunda-feira, o que significa que os parlamentares puderamvotar segundo sua consciência. O projeto, que atualiza leis de 1990, atualmente tramitanas comissões, e por isso ainda podem receber emendas. Avotação em plenário deve ocorrer dentro de algumas semanas. Dois grupos de pesquisas da Grã-Bretanha já receberamautorização para criar embriões híbridos. A nova lei develegalizar seu trabalho dentro de determinados parâmetros. Os cientistas dizem que essa prática resolverá um déficitde óvulos humanos, o que dificulta a pesquisa comcélulas-tronco -- uma espécie de "manual de instruções" doorganismo, capaz de gerar praticamente qualquer tipo de tecido. Mas outros cientistas e líderes religiosos acham antiéticocriar esse tipo de embrião e duvidam inclusive de suasperspectivas para a pesquisa. Um cardeal católico disse que seuuso caracteriza uma "ciência-Frankenstein". (Reportagem adicional de Tim Castle)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.