Parlamento da Rússia aprova expansão de poderes de agência de segurança

Ativistas temem que Serviço Federal de Segurança, 'herdeiro' da KGB, possa agir por motivos políticos

Associated Press

19 de julho de 2010 | 12h54

MOSCOU - A Câmara Alta do Parlamento da Rússia aprovou nesta segunda-feira, 19, um projeto de lei que dá mais poderes à principal agência de segurança do país, decisão que, segundo os analistas, segue a linha das tomadas na época da KGB, temido serviço secreto russo da era da Guerra Fria.

 

A lei, que ainda deve ser aprovada pelo presidente Dmitri Medvedev para entrar em vigor, permite o Serviço Federal de Segurança a emitir avisos para pessoas suspeitas de preparar crimes contra a segurança do país. O serviço de segurança é considerado o "herdeiro" da KGB.

 

Ativistas pró-democracia e pró-direitos humanos dizem que tal poder pode fazer com que o órgão intimide oponentes do governo e provoque protestos. "Essa lei tem o objetivo de atingir a oposição. É uma medida draconiana sem precedentes e que tem resquícios em nosso passado repressivo", disse Boris Nemtsov, líder do movimento Solidariedade, da oposição, à agência Interfax.

 

O projeto foi aprovado pela Câmara Alta por 121 votos a favor e apenas um contra. O único voto contrário foi dado pelo presidente da Casa, Sergei Mironov, que se disse apreensivo com a medida.

 

A lei retoma as dúvidas sobre o comprometimento de Medvedev com a promoção da democracia e da liberdade de expressão na Rússia. O presidente tem falado sobre reformas judicial e da Polícia e não tem usado a política linha dura de seu antecessor, Vladimir Putin. Putin, atual primeiro-ministro, é ex-agente da KGB e ex-chefe do Serviço Federal.

 

O projeto de lei passou a circular no Congresso poucas semanas depois dos atentados contra o metrô de Moscou em março, quando 40 pessoas morreram. Uma das explosões ocorridas no episódio de seu na estação de Lubyanka, abaixo da sede do Serviço Federal.

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