Parlamento europeu exige retirada de tropas russas da Geórgia

Deputados cobram informações sobre área em que os dois países usaram bombas de fragmentação no conflito

Agências internacionais,

03 de setembro de 2008 | 09h51

O Parlamento europeu exigiu nesta terça-feira, 3, que a Rússia cumpra com seus compromissos de retirar suas tropas assumido na assinatura do acordo de cessar-fogo com a Geórgia. A resolução da União Européia criticou ainda o uso de bombas de fragmentação pelos dois países nos confrontos e condenou a "resposta militar inaceitável e desproporcional da Rússia" no conflito e no reconhecimento pelas autoridades russas da independência das regiões separatistas pró-Moscou Ossétia do Sul e da Abkházia.   Veja também: Rússia não teme exclusão do G8, diz Medvedev Rússia diz já ter cumprido acordo com Geórgia Entenda o conflito separatista na Geórgia   A Eurocâmara pediu que Moscou cumpra "todos os compromissos" do cessar-fogo, começando pela "retirada completa e imediata de suas tropas na Geórgia" e pela "redução de sua presença militar na Ossétia do Sul e na Abkházia à força de manutenção da paz mobilizada nas duas províncias antes do conflito. Caso a Rússia não cumpra o definido, os deputados defenderam uma revisão da política européia em relação a esse país, apoiando a decisão da cúpula da União Européia (UE) de adiar as negociações do acordo bilateral UE-Rússia até que seja completada a retirada das tropas russas da Geórgia.   O Parlamento quer uma contribuição importante da UE ao mecanismo internacional para resolver o conflito, e pede aos países que considerem a possibilidade de enviar uma missão de observação complementar às da ONU e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). A resolução reconhece a "importância" da Geórgia para a melhora da segurança energética da UE, já que oferece uma alternativa à rota russa para o trânsito de gás e petróleo rumo à Europa, por isso considera "essencial" proteger as infra-estruturas existentes nesse país. Além disso, pede que a UE fortaleça sua política de cooperação com os países do Mar Negro, com idéias como criar uma zona de livre-comércio com Geórgia, Ucrânia e Moldávia.   Os parlamentares pediram também que a Rússia e a Geórgia ofereçam informações sobre as zonas em que suas Forças Armadas possam ter lançado bombas de fragmentação, a fim de retirá-las e evitar vítimas entre a população civil. Na segunda-feira, o grupo de direitos humanos Human Rights Watch afirmou que a Geórgia, assim como a Rússia, usou o armamento durante o conflito.   O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, disse nesta quarta ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, que lamenta o fato da União Européia não ter culpado a Geórgia pelo início do conflito na região, informou o Kremlin. Medvedev disse ao presidente francês por telefone que notou que os líderes da UE, reunidos em uma cúpula de emergência, tomaram uma decisão "geralmente balanceada" sobre a Geórgia, segundo um comunicado do Kremlin. "Ao mesmo tempo, (Medvedev) mostrou-se descontente com o documento final da cúpula, que não incluía o reconhecimento de que a Geórgia foi a primeira causa da crise na Ossétia do Sul e na Abkházia", disse o comunicado.   Frota no Mar Negro   Na terça-feira, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, advertiu o Ocidente que Moscou responderá à crescente presença de navios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Mar Negro. "A reação será tranqüila, sem nenhuma histeria, mas haverá uma resposta", afirmou Putin. Desde a semana passada, a Rússia vem denunciando o aumento do número de embarcações da aliança militar na região - ação que, segundo Moscou, estaria relacionada com a crise na Geórgia. A Otan, porém, insiste que a presença de seus navios no Mar Negro é rotineira e não está ligada ao conflito entre Moscou e Tbilisi.   Putin ainda criticou o fato de a ajuda humanitária estar sendo entregue para a Geórgia - enquanto, segundo ele, a real vítima da agressão é a Ossétia do Sul. "Não entendemos o que os navios americanos estão fazendo nas costas georgianas, mas isso é uma questão de gosto, é uma decisão de nossos colegas americanos", disse o premiê. "Por que é necessário enviar ajuda humanitária em navios de guerra armados com sistemas de míssil?"   O chefe-adjunto do Estado-Maior russo, Anatoli Nogovitsin, acusou os EUA de enviar armas para a Geórgia utilizando navios que entregam ajuda humanitária ao país. De acordo com ele, desde o início do conflito, em agosto, Washington enviou mais de 1.200 toneladas de carregamento para a Geórgia - incluindo armas. Nogovitsin afirmou que cinco navios da aliança estão na região - dois americanos, um polonês, um espanhol e um alemão. A Rússia também tem dez navios no local.

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