Parlamento italiano autoriza prisão de aliado de Berlusconi

O Parlamento italiano aprovou na quarta-feira a prisão de um deputado acusado de envolvimento num escândalo que abalou ainda mais o governo do premiê Silvio Berlusconi e expôs as crescentes divisões dentro da sua coalizão.

ROBERTO LANDUCCI, REUTERS

20 de julho de 2011 | 17h09

Deputados do partido Liga Norte, que apoia Berlusconi, votaram a favor da cassação da imunidade de Alfonso Papa, do PDL, o partido do primeiro-ministro -- que se empenhou pessoalmente para evitar a decisão.

Papa é acusado por promotores napolitanos de usar informações obtidas ilegalmente para ajudar indivíduos, inclusive um dirigente do PDL, a evitarem investigações judiciais. Ele foi indiciado por corrupção, quebra de sigilo, uso de informações oficiais confidenciais e estímulo a atividades ilegais.

Berlusconi, que enfrenta paralelamente quatro processos por corrupção e crimes sexuais, sofre para manter o controle sobre a coalizão, profundamente dividida em questões como a política econômica e a guerra na Líbia.

O voto da Liga Norte contra Papa é o mais notável golpe até agora na sua aliança com o PDL, e amplia as chances de um colapso na coalizão que levaria à antecipação das eleições previstas para 2013 -- nas quais, segundo as pesquisas, a oposição de centro-esquerda seria favorita.

"Fomos consistentes. A Liga votou sim, absolutamente sim, como dissemos que faríamos", disse o ministro do Interior, Roberto Maroni, que é da Liga Norte.

Sem a Liga Norte, Berlusconi não tem como manter sua maioria parlamentar. A votação secreta da quarta-feira -- 319 votos pelo sim à cassação, e 293 contra -- deixou clara sua fragilidade.

Os militantes da Liga Norte, um partido regional da parte mais próspera do país criado após uma série de escândalos de corrupção na década de 1990, estão cada vez mais desconfortáveis com a aliança com Berlusconi.

Na terça-feira, em mais um golpe contra o premiê de 74 anos, promotores abriram uma investigação relacionadas às acuações de que ele teria pressionado a emissora pública RAI a tirar do ar um programa que o criticava.

Em discurso ao Parlamento antes da votação, Papa negou qualquer irregularidade e disse participar de uma "luta pela liberdade."

Promotores o acusam de ligação com Luigi Bisignani, um polêmico consultor envolvido com políticos e empresários influentes, e que foi preso no mês passado.

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