Parlamento pede que Rússia reconheça separatistas da Geórgia

Câmaras aprovam medidas para a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia; Kremlin precisa ratificar

Agências internacionais,

25 de agosto de 2008 | 07h40

A Duma (Câmara dos Deputados russa) decidiu nesta segunda-feira, 25, em uma votação unânime, pediu para que o presidente russo, Dmitri Medvedev, reconheça a independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul, em uma medida que pode ser rechaçada pelos Estados Unidos, pela União Européia e outros aliados da ex-república soviética.   Veja também: Entenda o conflito separatista na Geórgia   A votação não tem força legal e aconselha o presidente sobre que decisão definitiva deveria tomar sobre o reconhecimento diplomático. A decisão dos parlamentares ainda precisará da ratificação do Kremlin - algo que o governo pode atrasar enquanto negocia outras questões com os países ocidentais.   Os 130 legisladores do Conselho da Federação, dominado por aliados do Kremlin, aceitou a proposta dois dias depois de intensas discussões entre a Rússia e a Geórgia pelas províncias separatistas pró-Moscou. As aspirações independentes não são reconhecidas pela Rússia ou nenhum outro membro da ONU até agora. Amabas se declararam de fato independentes na década de 1990, e desde então sobrevivem com o apoio financeiro, político e militar da Rússia. Além disso, grande parte da população obteve cidadania russa.   Os deputados qualificaram de "agressão bárbara" as ações do governo da Geórgia no início de agosto contra a Ossétia do Sul, na qual, segundo as autoridades da região separatista, morreram mais de 2 mil pessoas. Segundo a Duma, a possibilidade de que Geórgia restabeleça sua integridade territorial pela via política não têm nenhuma perspectiva e "esta nova realidade, cedo ou tarde, será reconhecida por toda a comunidade mundial".   As tensões nas regiões se intensificaram ainda mais depois que Mikhail Saakashvili foi eleito presidente da Geórgia em 2004, com uma promessa de reunificar o país. A ofensiva contra os separatistas da Ossétia do Sul no início dos Jogos de Pequim provocou a retaliação russa, que motivou o conflito que atingiu o Cáucaso nos últimos dias. Após a retirada das tropas russas do território georgiano, Moscou insiste em manter as chamadas forças de pacificação nas províncias separatistas com o objetivo de preservar o controle da região. No caso da Ossétia do Sul, se trata de uma região estratégica, já que o oleoduto atravessa o território e transporta o petróleo do Cáucaso para o Ocidente através da Turquia, o que dependeria do fornecimento russo.uso.   Segundo a BBC, de acordo com o presidente da Ossétia do Sul, Edward Kokoity, que participa das sessões extraordinárias no Parlamento russo, a Ossétia e a Abkházia têm mais direitos de se tornarem nações reconhecidas pela comunidade internacional do que a província separatista sérvia de Kosovo. Kosovo declarou sua independência no início deste ano e contou com o apoio dos Estados Unidos e de grande parte da União Européia.

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