Parlamento reelege Zapatero como premiê da Espanha

Primeiro-ministro afirma que buscará acordo com oposição para estratégia antiterrorista para eliminar a ETA

Agências internacionais,

11 de abril de 2008 | 08h36

O socialista José Luis Rodríguez Zapatero foi reeleito nesta sexta-feira, 11, primeiro-ministro do governo espanhol para um segundo mandato em uma votação no Parlamento, na qual obteve maioria simples, com o apoio dos 169 deputados de seu grupo em uma câmara de 350 cadeiras. Em discurso, Zapatero afirmou que responderá a todos os efeitos da crise mundial com urgência e que governará através do diálogo com as demais forças políticas, buscando acordos com todos os grupos, principalmente com o principal partido de oposição, o Partido Popular (PP), para discutir temas de necessidade nacional, como estratégias antiterror para eliminar o grupo separatista ETA e preparar o país para a Presidência rotativa da União Européia (UE).   Zapatero foi confirmado com 169 votos a favor - toda a bancada socialista -, 158 contra e 23 abstenções. Como na primeira votação, realizada na quarta-feira, o PP, principal partido opositor com 154 deputados, os três representantes dos independentistas da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e Rosa Díez, que estréia no Parlamento como a única deputada do novo partido União, Progresso e Democracia (UPD), votaram contra. Os outros grupos minoritários, incluídos os nacionalistas catalães da Convergência e União (CiU) e o Partido Nacionalista Basco, terceira e quarta força parlamentares, se abstiveram.   Zapatero, que foi eleito em 2004, convocou a colaboração da oposição para acordos sobre temas de Estado, como "traçar uma estratégia antiterrorista para acabar com a ETA", a composição de órgãos de Justiça e para preparar o país para a Presidência rotativa da UE, em 2010. Ele ainda anunciará a composição de seu novo governo neste sábado, após comunicá-la ao rei Juan Carlos da Espanha.   O líder do PP, Mariano Rajoy, disse que seu grupo "quer acordos de Estado". "Estamos dispostos a fazê-los, não só dispostos, mas pedimos que sejam feitos em matéria de terrorismo para derrotar a ETA", além de em outros temas.   Em março,  os governistas do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), venceram as eleições gerais na Espanha, em um pleito que deixou o Parlamento espanhol ainda mais dominado pelos dois principais partidos políticos do país. Tanto o PSOE quanto seu principal rival, o conservador Partido Popular (PP), conquistaram mais cadeiras na Câmara baixa que nas últimas eleições, em 2004.   Esta é a primeira vez em décadas que um político espanhol precisa do segundo turno para ter sua vitória confirmada pelo Parlamento depois de vencer uma eleição. Mesmo sem ter garantido maioria para governar sozinho, o PSOE optou por não buscar parceiros para uma coalizão e pretende costurar alianças pontuais de acordo com projetos de lei de interesse do governo.   Desafios   Depois de chegar ao poder num golpe de sorte, em 2004, e de se beneficiar de um "boom" econômico sem precedentes, o presidente de Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, quase não precisou mostrar força em momentos de dificuldades. Até agora. A economia em 2008 piora rapidamente, e a primeira tarefa do dirigente socialista após sua reeleição será controlar uma onda de desemprego que já atingiu 300 mil pessoas. Em quatro anos, o conferencista de Direito do interior, depois de muito tempo como coadjuvante em seu próprio partido, revolucionou a sociedade espanhola, transformando o que era um dos países mais conservadores da Europa num dos mais liberais. Ele legalizou o casamento homossexual, reduziu o papel da Igreja Católica na educação e reforçou as leis de igualdade entre os gêneros. Na política econômica, até agora Zapatero apenas manteve a rédea curta, aproveitando o orçamento equilibrado e mantendo a boa fase que lhe valeu sucessivas avaliações positivas nas pesquisas de opinião pública.   Zapatero também enfrentará desafios vindos das regiões espanholas, especialmente a Catalunha e o País Basco, que receberam mais autonomia no atual governo socialista. A questão basca é justamente uma das maiores frustrações do primeiro mandato, devido ao insucesso na tentativa de negociar a paz com o grupo separatista ETA - uma negociação que Zapatero já prometeu não repetir.   Mesmo seus seguidores, porém, admitem que ele não teria chegado ao governo se a Espanha não tivesse vivido uma tragédia há quatro anos - os atentados islâmicos que mataram 191 pessoas nos trens de Madri em março de 2004, a três dias das eleições.

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