Parlamento turco acaba com proibição a véu islâmico

O parlamento turco decidiu no sábadoencerrar a proibição do uso do véu islâmico por alunasuniversitárias, uma marco histórico que alguns turcos dizem queirá enfraquecer os alicerces do estado secular. O parlamento, dominado por membros do Partido AK, decentro-direita, aprovou a emenda constitucional por 411 votos a103. "A proposta de mudar a Constituição foi aprovada. Eu esperoque isso ocorra pelo bem da Turquia e espero que isso sejafeito num espírito de tolerância e reconciliação", disse opresidente do parlamento, Koksal Toptan, a legisladores após avotação. Mas, destacando a emotividade que a questão do véudesperta, dezenas de milhares de pessoas agitando bandeirasturcas e cantando slogans secularistas promoveram uma onda deprotestos contra as mudanças a poucos quilômetros doparlamento, no centro de Ankara. A discussão em torno do véu mexe com o coração da Turquia,um país muçulmano, mas com orientação ocidental e de umaidentidade complexa. O AK, partido do primeiro-ministro Tayyip Erdogan, que temraízes islâmicas, afirma que a proibição é uma negação injustaaos direitos individuais e à liberdade religiosa no país,candidato a ingressar na União Européia e onde dois terços dasmulheres cobrem suas cabeças. A mulher e as filhas de Erdogan usam o véu, assim comofamiliares do presidente Abdullah Gul e de muitos ministros doAK. Mas a elite secular turca, que inclui juristas, reitoresuniversitários e generais do exército, defende a proibição dovéu como uma medida crucial para a manutenção da separaçãoestrita entre Estado e religião. A proibição em universidades remonta à década de 1980, masfoi significativamente enrijecida em 1997, quando generais doexército, com apoio da população, derrubaram um governo acusadode ser "muito islâmico".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.