Parlamento vota aumento da educação, e caos domina Londres

Policiais perseguiram manifestantes em incidentes violentos na quinta-feira no centro de Londres, enquanto o Parlamento votava o projeto que aumenta os preços do ensino universitário, assunto que dividiu a coalizão de governo e gerou um resultado apertado.

MOHAMMED ABBAS E MATT FALLOON, REUTERS

09 de dezembro de 2010 | 20h26

Alguns manifestantes jogaram tinta e quebraram uma janela do carro onde estava o príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica, e sua esposa, Camilla. O casal não se feriu. Prédios públicos e lojas também tiveram vidros quebrados.

O aumento das taxas universitárias é parte das medidas de austeridade com que a coalizão conservadora-liberal pretende controlar o déficit público.

Analistas dizem que as manifestações estudantis podem ser prenúncio de mais distúrbios no ano que vem, quando outros cortes forem sentidos e os sindicatos se mobilizarem.

"Haverá provavelmente feridos graves, ou mesmo mortes, se este nível de protesto for replicado no ano novo por sindicatos militantes". disse Carina O'Reilly, analista de segurança europeia da IHS Jane's.

Perto do Parlamento, manifestantes aos gritos de "queremos nosso dinheiro de volta" cercaram a sede do Tesouro, arrombaram uma porta e enfrentaram a tropa de choque dentro do edifício.

Houve incidentes também na Oxford Street, importante rua comercial perto dali, onde vitrines foram quebradas. Vinte pessoas foram presas, e dez policiais ficaram feridos. Um fotógrafo da Reuters foi levado a um hospital depois de ser atingido por uma pedra no rosto.

A polícia disse que dezenas de milhares de pessoas participaram da manifestação, inclusive alguns jovens encapuzados. A polícia havia alertado que, como em outras manifestações estudantis, grupos violentos poderiam tentar protagonizar os protestos.

O projeto acabou sendo aprovado com uma maioria de 21 votos, e 27 deputados governistas votaram contra, enquanto outros se abstiveram.

"É a menor maioria do governo em 2010, e menor do que você teria imaginado há duas semanas", disse Philip Cowley, professor de ciência política da Universidade de Nottingham. "Não é a primeira revolta, e certamente não será a última."

É improvável que a coalizão criada há sete meses caia, mas analistas dizem que novas divisões por causa das restrições orçamentárias tornariam a vida cada vez mais difícil para o Partido Liberal-Democrata, sócio mais à esquerda da parceria e principal alvo dos manifestantes.

O projeto, que deve ir a votação na Câmara dos Lordes na terça-feira, eleva a cobrança máxima nas universidades a quase 9.000 libras (14,1 mil dólares) por ano, quase triplicando o valor atual.

(Reportagem adicional de Peter Apps, Isabel Coles, Adrian Croft, Stefano Ambrogi, Keith Weir, Karolina Tagaris e Michel Rose)

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