Partido britânico anti-UE humilha Cameron em votação

O Partido Conservador do primeiro-ministro britânico, David Cameron, ficou em terceiro lugar em uma votação no sul da Inglaterra, derrotado por um partido que quer que a Grã-Bretanha deixe a União Europeia, fazendo com que alguns parlamentares em seu partido questionassem suas credenciais de liderança.

COSTAS PITAS, Reuters

01 de março de 2013 | 17h07

O Partido da Independência da Grã-Bretanha não tem parlamentares, e Cameron já descreveu seus integrantes como "malucos, doidos e racistas enrustidos", mas o UKIP (na sigla em inglês) ficou em segundo na eleição de quinta-feira para a cadeira parlamentar em Eastleigh, obtendo sua maior cota de votos.

Para aumentar a desgraça de Cameron, o partido Liberal Democrata, parceiro júnior na sua coalizão de governo, ficou em primeiro, apesar de estar envolvido em escândalos de sexo e perjúrio e patinando nas pesquisas nacionais de opinião.

O resultado aumentou a pressão sobre Cameron de parlamentares decepcionados dentro de seu próprio partido, que temem que ele não seja capaz de liderá-los até a vitória na eleição nacional de 2015. Muitos acham que ele voltou as costas para o tipo de conservadorismo tradicional esposado por líderes conservadores como Margaret Thatcher.

"Ele tem uma quantia de tempo muito limitada para reacender o amor com as bases que serão cruciais para vencer uma eleição geral", disse Stewart Jackson, um parlamentar Conservador, à Reuters.

"Para muitas das pessoas que se consideram conservadoras, a liderança parece liberal e elitista demais. Cameron tem trabalho a fazer."

Os conservadores esperavam ganhar ou pelo menos ficar em segundo em Eastleigh, que fica no condado de Hampshire, no sudoeste de Londres, mas Cameron fez pouco caso da derrota.

"Essa é uma eleição parcial, é no meio do mandato, é um protesto. É o que acontece em eleições parciais", disse Cameron.

"É decepcionante para o Partido Conservador, mas devemos permanecer fiéis aos nossos princípios, verdadeiros ao nosso curso, e dessa maneira podemos atrair de novo as pessoas. Não acho que devamos seguir dessa maneira ou daquela."

No entanto, Nigel Farage, líder do UKIP, disse que a votação mostrou que seu partido estava à beira de um "terremoto político nacional".

"É um protesto contra toda uma classe política que não está disposta a confrontar as questões difíceis como a imigração de porta aberta", disse Farage em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira.

O secretário da Educação britânia, Michael Grove, um conservador, disse que a desilusão com a política convencional e a fúria contra as desgraças econômicas da Grã-Bretanha desempenharam um papel na derrota.

O resultado foi uma vitória importante para os Liberais Democratas e Nick Clegg, o vice-primeiro-ministro e líder de partido, cuja liderança vem sofrendo pressão nas últimas semanas.

Eles ficaram com 13.342 votos, a UKIP com 11.571, os Conservadores com 10.559 e o Partido Trabalhista com 4.088. Isso significa que a UKIP ficou com quase 28 por cento dos votos.

(Por Michael Holden e Andrew Osborn)

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