Partido conservador de Merkel vence eleição de Hamburgo

O partido conservador daprimeira-ministra alemã, Angela Merkel, manteve o poder emHamburgo, norte da Alemanha, no domingo, em eleições que tambémdeterminaram avanços para um novo partido de extrema esquerda. O premiê e aliado de Merkel, Ole von Beust, do partidoCristão Democrata (CDU, na sigla em alemão), deverá se manterno poder na cidade portuária, que ele administra desde 2001,com projeções de obtenção de 43 por cento dos votos, segundouma pesquisa de boca-de-urna da rede de televisão ZDF. Ele deve, no entanto, perder a maioria absoluta noParlamento e será forçado a formar uma coalizão, provavelmentecom o Partido Verde ou o Partido Democrata Social (SPD, nasigla em alemão), de centro-esquerda, que obtiveram 34 porcento dos votos, segundo a pesquisa de boca-de-urna. Merkel, que comanda uma economia robusta, continua popularem seus dois anos de governo, depois de derrotar o predecessorGerhard Schroeder por uma pequena margem de votos e assumir opoder com uma "grande coalizão" inusitada com o SPD. O CDU vem apresentando quedas de popularidade nas eleiçõesregionais deste ano, prejudicando suas chances nas próximaseleições regionais de 2009. Seu rival tradicional, o SPD, está ainda mais fraco --umasituação que poderia aumentar as tensões na coalizão de Markelconforme as eleições nacionais se aproximam. Os problemas do SPD são, em parte, devido ao Partido deEsquerda, um grupo de ex-comunistas e dissidentes do SPD, queaté o mês passado tinha alcançado votações expressivas apenasem estados da antiga Alemanha Oriental. O Partido de Esquerda, que recebeu muitos votos em Hamburgoem decorrência de um escândalo de sonegação de impostos degrandes empresas, conseguiu chegar aos 6,5 por cento, elegendoseu quarto deputado estadual na parte ocidental do país. Como em uma eleição no mês passado na cidade de Hesse, emque o Partido de Esquerda também teve uma boa votação, o CDU eo SPD, os maiores partidos da Alemanha, não conseguiram apoiopara assumir o controle de Hamburgo com uma coalizão com ospartidos de sua preferência. Essa situação delicada poderá gerar alianças políticasinéditas, como, por exemplo, entre o CDU e os ambientalistas doPartido Verde. Caso uma aliança desse tipo seja bem-sucedida,poderá ser reproduzida no nível federal no ano que vem. O SPD já excluiu a possibilidade formar uma coalizão com oPartido de Esquerda, que é liderado por Oskar Lafontaine,ex-presidente do SPD e ministro das Finanças de Schroeder, queé desprezado pela maioria dos membros de seu antigo partido. A liderança do SPD está flertando com a idéia de usar osvotos do Partido de Esquerda para assumir o controle de Hesse,depois que uma votação no Parlamento, em janeiro, entrou numbeco sem saída. A situação pode ter afugentado sua base moderada emHamburgo, uma cidade de contrastes que abriga tanto as pessoasmais ricas da Alemanha e uma grande comunidade de imigrantes eoperários, graças a seu importante porto e uma fábrica daAirbus.

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