Partido de Berlusconi leva surra em eleição local na Itália

O partido conservador do ex-premiê Silvio Berlusconi levou uma surra nas eleições municipais desta segunda-feira na Itália, e a indignação popular contra as medidas de austeridade se refletiu nas boas votações dos candidatos de esquerda e de protesto.

JAMES MACKENZIE E STEVE SCHERER, REUTERS

07 Maio 2012 | 20h14

A votação serve de barômetro para a eleição nacional prevista para o ano que vem.

Um dos maiores vencedores foi o Movimento Cinco Estrelas, do descabelado comediante Beppe Grillo, que ataca os grandes partidos e propõe que a Itália deixe a zona do euro.

Em Parma, norte do país, esse movimento de protesto conseguiu 20 por cento dos votos, e o Povo da Liberdade (PDL, de Berlusconi), que antes governava a cidade, foi relegado à quinta colocação. Em Gênova, cidade de Grillo, o Cinco Estrelas obteve 15 por cento, e o PDL também ficou em quinto, segundo resultados preliminares.

Em sua estreia nas urnas, em 2010, o movimento organizado pela Internet conseguiu apenas 1,8 por cento dos votos, saltando para 3,4 por cento na eleição municipal de Milão do ano seguinte.

"Grillo confirmou sua existência política. Ele é o grande vencedor", disse Maurizio Pessato, vice-presidente do instituto de pesquisas SWG. "A fraqueza do PDL foi confirmada, talvez seja o maior derrotado desta eleição."

Angelino Alfano, secretário-geral do PDL, disse: "Houve uma derrota, mas não é uma catástrofe para o PDL".

Mais de 9 milhões de italianos, cerca de 20 por cento do eleitorado total, poderia ir às urnas em mais de 900 cidades de toda a Itália, na primeira eleição significativa desde que o primeiro-ministro tecnocrata Mario Monti assumiu o cargo no lugar de Berlusconi, no ano passado.

O governo de Monti impôs duros aumentos tributários, cortes previdenciários e reformas trabalhistas impopulares para tentar salvar a Itália de uma crise de dívida semelhante à grega.

A eleição de prefeitos e vereadores não tem impacto direto sobre sua capacidade de aprovar reformas no país, mas pode tornar seus aliados mais relutantes em aceitar medidas impopulares.

O comparecimento às urnas, de 67 por cento, também foi considerado baixo, em mais um sinal de frustração do eleitorado. Em cidades onde nenhum candidato obtiver maioria, haverá segundo turno em 20 e 21 de maio.

(Reportagem adicional de Gavin Jones)

Mais conteúdo sobre:
ITALIAELEICOESBERLUSCONI*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.