AP
AP

Partido de Brown fica em terceiro nas eleições europeias

Trabalhistas sofrem maior derrota eleitoral do pós-guerra e aumentam a pressão sobre o premiê britânico

08 de junho de 2009 | 08h37

O Partido Trabalhista do Reino Unido, atualmente no governo, ficou em terceiro lugar nas eleições do país para o Parlamento Europeu, em mais um revés para o primeiro-ministro, Gordon Brown, no momento em que ele resiste aos pedidos de renúncia. Os resultados das eleições, realizadas na quinta-feira no Reino Unido, refletiam uma forte votação de protesto contra os partidos no poder, à luz da crise financeira e do escândalo de despesas de parlamentares no país.

Veja também:

link Partido pró-pirataria na web ganha vaga no Parlamento da UE

link Com 35% dos votos, partido de Berlusconi amarga resultado

link Partido de Merkel vence votação na Alemanha para a UE

link Eleição marca fortalecimento da direita na Europa

 

O Partido Trabalhista de Brown conseguiu apenas 16% dos votos britânicos para o Parlamento Europeu, de acordo com a BBC e o canal de televisão Sky News, marcando o menor apoio ao partido desde a Primeira Guerra Mundial. O antieuropeu Partido da Independência Britânico, ou UKIP, obteve 17% dos votos e o principal partido de oposição, o Partido Conservador, angariou 27% dos votos. Os Liberais Democratas ficaram em quarto lugar, com 14% dos votos. A contagem inclui Inglaterra, País de Gales e Escócia, mas ainda não reflete os votos na Irlanda do Norte.

 

Em um desdobramento significativo, o Partido Nacional Britânico (BNP), de extrema direita e com políticas anti-imigração, conquistou pela primeira vez duas cadeiras no Parlamento Europeu. O sucesso inesperado do BNP nas eleições foi classificado como "triste" para a política britânica, tanto por conservadores como pelos trabalhistas, que tiveram sua imagem bastante arranhada pelo recente escândalo do reembolso de gastos pessoais de deputados. "O BNP é o maior voto de protesto", disse o ministro da Saúde, Andy Burnham. "É como fazer um gesto obsceno à elite governante. Acredito que seja, em grande parte, um comentário sobre a política em Westminster (sede do Parlamento britânico)".

 

Em mais um sinal de divisão do Partido Trabalhista, Brown pediu que a ministra de Agricultura e Meio Ambiente, Jane Kennedy, renuncie, após ela ter afirmado que não poderia pessoalmente prometer lealdade ao primeiro-ministro. O gabinete dela não estava disponível para comentar.

 

A vice-líder do Partido Trabalhista, Harriet Harman, afirmou à BBC que o resultado europeu era "uma derrota ruim para nós". Mas ela também disse que Brown era o homem certo para o cargo e continuaria assumindo responsabilidade pela economia, pela questão das despesas e por outros problemas que o Reino Unido enfrenta neste momento.

 

Com o Partido Trabalhista perdendo para os Conservadores e as eleições gerais devendo acontecer no máximo até a metade do próximo ano, surgem comentários de uma possível rebelião contra Brown por parlamentares trabalhistas que temem perder suas cadeiras. Mas Brown realizou amplas mudanças em seu governo na sexta-feira e disse que vai lutar no cargo.

 

Em meio a uma campanha por e-mail para recrutar legisladores para apoiar a retirada do primeiro-ministro, Brown deve se reunir nesta segunda-feira com parlamentares trabalhistas, no que poderá ser um momento crucial para o premiê.

 

Vitória da centro-direita

 

Os partidos de centro-direita obtiveram clara vitória na França, Alemanha, Itália e Polônia, fortalecendo sua posição como o maior bloco do Parlamento. Em contraste, os partidos de centro-esquerda no governo do Reino Unido, Espanha e Portugal tiveram um resultado ruim.

 

A exemplo do que ocorreu com o BNP no Reino Unido, partidos extremistas de direita tiveram um bom desempenho em vários países. Na Holanda, o partido eurocético e anti-imigração do controverso político Geert Wilders ficou em segundo lugar. Na Áustria, o partido de extrema-direita Freedom Party recebeu o dobro de votos em comparação com as eleições de 2009.

 

Outros partidos pequenos, como o Partido Verde, também obtiveram resultados melhores em comparação a 2009. O Partido Pirata, da Suécia, que defende a legalização de sites para a troca de arquivos na internet, obteve 7% dos votos no país, e uma das 18 cadeiras da Suécia no Parlamento.

 

O comparecimento às urnas ficou em 43% - o mais baixo da história do Parlamento. A expectativa é de que o Partido do Povo Europeu (EPP, na sigla em inglês), mantenha o controle do Parlamento, tendo conquistado 265 das 736 cadeiras.

 

José Manuel Durão Barroso, que deve permanecer na presidência da Comissão Europeia com a vitória da centro-direita, agradeceu os eleitores e garantiu que suas vozes serão ouvidas. "Ao todo, os resultados são uma vitória inegável desses partidos e candidatos que apoiam o projeto europeu e querem ver a União Europeia preparando políticas que respondam às suas preocupações diárias", disse Durão Barroso.

 

"É uma noite triste para a social democracia na Europa. Nós estamos particularmente decepcionados, (é uma) noite amarga para a gente", disse o líder do bloco socialista, Martin Schulz.

 

O Parlamento Europeu é o único órgão da União Europeia eleito diretamente. Seu trabalho é debater, apresentar emendas, rejeitar ou aprovar as leis propostas pelo órgão executivo da EU, a Comissão Europeia. Seu mandato é de cinco anos. Esta foi a maior eleição transnacional já realizada. Ao todo, 375 eleitores estavam habilitados a votar em 27 países.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.