Partido de Putin terá maioria reduzida no Parlamento russo

O partido de Vladimir Putin terá de governar a Rússia com uma maioria reduzida depois da eleição de domingo, que mostrou uma crescente desconfiança em relação ao homem que há mais de uma década domina a política local, e que pretende voltar ao cargo de presidente em 2012.

STEVE GUTTERMAN E ALEXEI ANISHCHUK, REUTERS

05 de dezembro de 2011 | 18h16

O presidente Dmitry Medvedev, aliado de Putin, disse que a eleição foi "justa, honesta e democrática", mas monitores europeus afirmaram que o processo foi distorcido em favor do partido Rússia Unida, e que aparentemente houve inclusão fraudulenta de votos nas urnas e outras irregularidades.

De acordo com a Comissão Eleitoral Central, a bancada do Rússia Unida na Duma (câmara baixa) caiu de 315 para 238 deputados, o que representa uma apertada maioria no total de 450 parlamentares.

Esse resultado constitui o maior revés eleitoral para Putin desde sua primeira eleição como presidente, em 1999, mas numa reunião do governo na segunda-feira ele enfatizou que a maioria simples (226 deputados) basta para aprovar a maioria dos projetos.

"O Rússia Unida tem sido uma parte significativa nos fundamentos da nossa estabilidade política nos últimos anos, então seu desempenho bem sucedido na eleição foi importante não só para o governo como também, na minha opinião, para o país inteiro."

Já Medvedev admitiu que o eleitorado passou "um sinal às autoridades", e sugeriu que dirigentes de regiões onde o partido foi mal deveriam ser afastados.

"O Rússia Unida não foi bem em uma série de regiões, mas não porque o povo se recusou a confiar no partido em si (...), mas simplesmente porque as autoridades locais o irrita", afirmou o presidente. " olham e dizem: 'Se esse é o Rússia Unida, de jeito nenhum vou votar nele'."

A oposição diz que até o resultado final - com pouco menos de 50 por cento dos votos para o Rússia Unida - foi fraudado. O líder do Partido Comunista, cuja bancada deve subir de 57 para 92, disse que essa foi a eleição mais manipulada desde o fim da União Soviética, em 1991.

PROTESTO

Milhares de pessoas protestaram no centro de Moscou nesta segunda-feira contra o que disseram ser uma eleição parlamentar fraudulenta.

A polícia afirmou ter prendido 300 pessoas em Moscou, onde confrontou uma multidão de 3.000 a 5.000 manifestantes, que gritavam "Revolução" e "Rússia sem Putin", num dos maiores protestos oposicionistas na capital em anos.

A Casa Branca informou ter "sérias preocupações" sobre a conduta da eleição russo.

Embora Putin continue como favorito na eleição presidencial de março, o resultado do domingo pode abalar a autoridade que ele exerce há 12 anos com uma mistura de políticas radicais de segurança, perspicácia política e exibicionismo, mas que não impediu que ele fosse vaiado após uma apresentação de artes marciais no mês passado.

"Muitos russos votaram conta o sistema, e Putin é o cabeça do sistema", disse o comentarista Stanislav Kucher, da rádio Kommersant.

"Putin tem uma opção muito difícil. Para sobreviver politicamente ele precisa fazer reformas, mas só pode fazer reformas caso se livre de muitos interesses escusos no círculo governante. Continuar como está significa o contrário da sobrevivência política."

(Reportagem adicional de Guy Faulconbridge, Thomas Grove, Douglas Busvine e Darya Korsunskaya)

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