Partido de Putin termina campanha parlamentar na liderança

Rússia Unida deve eleger maioria no Parlamento; pleito seria uma prévia das eleições presidenciais de março

Agências internacionais,

30 de novembro de 2007 | 14h48

O partido do presidente russo, Vladimir Putin, aparece como o grande favorito para a eleição parlamentar que acontece neste domingo, 2. A campanha termina nesta sexta, e o Rússia Unida leva vantagem.   Veja também:Entenda as eleições parlamentares na Rússia   Putin vai liderar a lista de candidatos do Rússia Unida nas eleições, mas ele não é um membro oficial do partido e não terá necessariamente que assumir uma cadeira no Parlamento em caso de vitória.   O partido do líder russo apresenta a votação como um referendo sobre os oito anos do presidente no poder. No início da campanha, o próprio Putin disse que uma vitória esmagadora daria a ele o "direito moral" de continuar a exercer influência política, mesmo depois do fim de seu mandato, no início do ano que vem.   Segundo a BBC, grupos de monitoramento de eleições e de defesa dos direitos humanos acusam as autoridades russas de tentar manipular os resultados, intimidando a oposição e pressionando os eleitores a apoiar o partido governista Rússia Unida.   Putin, no entanto, assegurou embaixadores estrangeiros que as eleições vão ser honestas, transparentes e "sem falhas sistemáticas", como ele próprio descreveu.   Apesar de deixar a Presidência no ano que vem, Putin indicou que pretende continuar na vida política, possivelmente como primeiro-ministro.   A eleição também tem uma diferença fundamental da última: todos os 85 governadores regionais agora são escolhidos pelo Kremlin, em vez de eleitos localmente.   Segundo Nikolai Petrov, especialista em governo regional russo do Instituto Carnegie Endowment for International Peace, em Moscou, "o objetivo dos governadores é conseguir o maior número de votos possível para o partido". "É um teste para eles mostrarem sua lealdade e eficiência", acrescenta Petrov. "Eu diria que a fraude é inevitável e será mais alta do que nunca."   Concorrentes   O Rússia Unida, que governa atualmente, deve ganhar a maioria no Parlamento. O partido apóia o "Plano Putin", de desenvolvimento econômico, em que há forte papel do Estado e política externa independente. Além de Putin, os principais nomes ligados ao partido são o parlamentar Boris Gryzlov e o ministro Sergei Shoigu.   O Partido Comunista da Federação Russa campanha pela nacionalização de industrias de importância estratégia, pela melhoria da rede de bem-estar social, pela diversificação econômica para a reduzir a dependência dos petróleo e por reformas constitucionais para devolver o poder aos conselhos dos trabalhadores.   A recuperação econômica russa e a popularidade de Putin fizeram diminuir a popularidade do partido, que nos anos 1990 chegou a ter o apoio de mais de 20% do voto popular e governadores em várias regiões. Sua base de apoio é formada por pessoas com mais idade, oriundas das classes trabalhadoras, especialmente nas zonas rurais. As pesquisas indicam que os comunistas devem receber entre 6% e 17% dos votos.   O Partido Liberal Democrático da Rússia tem perfil nacionalista. Foi fundado pelo atual vice-presidente da Duma, Vladimir Zhirinovsky, e apresenta como um de seus candidatos Andrei Lugovoi, principal suspeito de matar o ex-agente da KGB Alexander Litvinenko. Seus simpatizantes típicos são homens de baixa renda de cidades pequenas. As pesquisas de opinião apontam que esse partido terá entre 4% e 6% dos votos.   O Rússia Justa, dirigido pelo político Sergei Mirnovo, faz campanha por justiça social, investimento em defesa e contra a Otan. Analistas dizem que o partido - criado por Vladislav Surkov, um integrante do governo Putin - é uma tentativa de atrair votos do Partido Comunista. O partido tem obtido 3% nas pesquisas de opinião.

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