Partido de Putin vence eleições com 62% dos votos

Resultados apontam que comunistas serão o maior partido de oposição da Duma, com cerca de 11% dos votos

Agências internacionais,

02 de dezembro de 2007 | 16h26

Resultados oficiais preliminares indicam que o partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, conseguiu 62% dos votos nas eleições parlamentares realizadas no país neste domingo. Após a vitória, o partido anunciou que vai indicar seu candidato à Presidência em seu congresso no fim do mês, mas ainda não revelou quem será.   Veja também: Kasparov diz que 'Putin quer governar como Stalin' Entenda as eleições parlamentares na Rússia   As eleições são vistas como uma prévia do pleito presidencial de março de 2008, quando Vladimir Putin deve deixar o poder, depois de oito anos de governo.   Os resultados também indicam que outros três partidos conseguiram assegurar mais de 7% dos votos, o mínimo exigido para ingressar no Duma, a câmara baixa do Parlamento russo. O órgão estatal de estatísticas Vtsiom prevê que os comunistas serão o maior partido de oposição da Duma (Câmara dos Deputados), com 11,5% dos assentos. A pesquisa afirmou que o comparecimento às urnas foi de 60%, mais alto do que os das eleições parlamentares de 2003, de 56%.   A pesquisa também mostra que o partido nacionalista LDPR (8,8 %) e o partido pró-Kremlin Rússia Justa (8,4%) também conseguiram assentos na Duma. Os liberais do partido Yabloko e SPS ficaram longe do mínimo necessário de 7% para obter representação, segundo a pesquisa. Os votos desses partidos serão redistribuídos pelos partidos vitoriosos, dando aos blocos pró-Kremlin, Rússia Unida e Rússia Justa, uma maioria constitucional folgada de 348 assentos na Duma, que tem no total 450 assentos.   Resultado contestado   O Partido Comunista disse que vai contestar os resultados. Os observadores europeus disseram que não receberam relatos até agora de irregularidades. Segundo o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, disse que as eleições deste domingo foram as menos democráticas realizadas no país desde o fim da União Soviética.   Segundo a BBC, o órgão independente de monitoramento Golos disse que recebeu queixas de fraudes em todas as partes do país. Em Washington, um porta-voz da Casa Branca disse que as autoridades russas deveriam investigar as alegações de fraude.   Já o diretor da comissão eleitoral da Rússia, Vladimir Churov, disse que não houve irregularidades na votação. O líder do Rússia Unida, Boris Gryzlov, admitiu que houve algumas irregularidades, mas disse que elas não devem influenciar no resultado. Os poucos observadores internacionais não registraram nenhum caso até agora.   Putin deve deixar a Presidência em março, mas ele tem indicado que pretende manter uma presença forte na vida política russa.     Deputado eleito   O empresário russo Andrei Lugovoi, principal suspeito no assassinato do ex-espião Aleksander Litvinenko, obteve uma cadeira de deputado. O ultranacionalista Partido Liberal Democrático (PLD), em cujas listas figura Lugovoi como número dois, conseguiu mais de 7% dos votos necessários.   Lugovoi, cuja extradição ao Reino Unido foi rejeitada pelas autoridades russas, obtém a imunidade parlamentar com a eleição. "Estou muito contente com os resultados", disse Lugovoi, antigo colega de Litvinenko nos serviços secretos russos. O empresário acrescentou que está disposto a participar ativamente no trabalho legislativa da Duma, embora desconheça por enquanto a esfera na qual trabalhará.

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