Partido de Putin vence na Rússia; observadores criticam eleição

O partido do presidente Vladimir Putinobteve uma ampla maioria na eleição parlamentar russa dedomingo, segundo resultados divulgados na segunda-feira, masobservadores internacionais declararam que o pleito "não foijusto". O Kremlin viu no resultado uma forte manifestação de apoioa Putin, que provavelmente manterá grande parte da suainfluência política após o fim de seu mandato, em 2008, emboranão se saiba exatamente como. A Comissão Eleitoral Central disse que, com a apuraçãopraticamente concluída, o partido Rússia Unida somava 64,1 porcento dos votos, quase seis vezes mais do que o segundocolocado, o Partido Comunista. Duas pequenas legendas ligadas ao governo conseguiramoutros 16 por cento dos votos. A oposição dita "liberal"(pró-Ocidente) não elegeu representantes. Suspeitas de manipulação e fraude alarmaram a UniãoEuropéia, que apontou restrições à liberdade de expressãodurante a campanha, e os Estados Unidos pediram às autoridadesrussas que investiguem as suspeitas. Na semana passada, Putinacusou o Ocidente de "meter seus narizes arrogantes" nosassuntos domésticos russos. A oposição russa e monitores internacionais disseram que acobertura acrítica da imprensa, o uso pesado da máquina públicana campanha e numerosas irregularidades durante a votaçãoinfluíram no resultado. Em nota, representantes do Conselho da Europa e daOrganização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)disseram que a eleição "não foi justa", pois "não cumpriumuitos compromissos e padrões para eleições democráticas". Os comunistas, que receberam 11,6 por cento dos votos,prometeram recorrer à Justiça contra o resultado. Mas o diretor da Comissão Eleitoral Central, VladimirChurov, ex-colega de Putin, rejeitou as acusações de fraude. Opróprio presidente disse, segundo a agência Intar-Tass, que aseleições foram "legítimas". Analistas do mercado financeiro disseram que o resultado,pelo qual Putin havia se empenhado muito, vai promover aestabilidade e estimular investimentos. "Os eleitores russos falaram em favor do Rússia Unida,portanto apoiando o rumo dado pelo presidente Putin, e a favorde que (tal rumo) continue depois que o segundo mandato doatual presidente terminar", disse Dmitry Peskov, porta-voz doKremlin. As projeções da Comissão Eleitoral dão cerca de 393 das 450vagas da Duma (Parlamento) a partidos governistas. Tal margemserá mais do que suficiente para que Putin altere aConstituição, caso deseje. O presidente ainda não anunciou o que fará ao final de seumandato, em maio. Ele seria franco favorito para um terceiromandato, mas diz que não vai mudar a Constituição para permitirisso. As pesquisas mostram Putin, um ex-agente da KGB de 55 anos,como extremamente popular, depois de oito anos no poder. Oseleitores lhe dão crédito por restaurar a estabilidade e oorgulho nacional, e gostam do seu nacionalismo e das suascríticas ao Ocidente.(Reportagem adicional de Christian Lowe, Guy Faulconbridge eAnton Doroshev)

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