Partido governista francês nega armação contra Strauss-Kahn

O UMP, partido do presidente da França, Nicolas Sarkozy, negou neste sábado acusações de uma armação política para derrubar o ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, após a publicação de uma reportagem investigativa feita por um jornalista norte-americano.

HENRI-PIERRE ANDRÉ E YANN LE GUERNIGOU, REUTERS

26 de novembro de 2011 | 12h47

O artigo de Edward Jay Epstein, publicado no New York Review of Books, levantou a questão de se um aparelho de telefone BlackBerry, pertencente a Strauss-Kahn, poderia ter sido obtido por seus oponentes políticos quando ele foi preso em maio, acusado de tentar estuprar uma camareira de hotel.

Promotores em Nova York retiraram depois as acusações contra Strauss-Kahn, citando dúvidas sobre a credibilidade da camareira Nafissatou Diallo, que insiste em um processo civil.

No momento de sua prisão, Strauss-Kahn, um socialista ex-ministro das Finanças, era o favorito para vencer as eleições presidenciais francesas no próximo ano, no lugar de Sarkozy. Ele foi forçado a renunciar ao seu posto no FMI depois do escândalo, que também acabou com suas perspectivas quanto à Presidência.

O secretário-geral do UMP, Jean-Francois Cope, afirmou que as acusações eram óbvia manipulação.

"São apenas acusações baseadas em testemunhas anônimas sobre as quais não sabemos nada", disse Cope.

"Imaginar que o que aconteceu com o Sr. Strauss-Kahn foi objeto de algum tipo de envolvimento do UMP, me perdoe, mas deixe-me dizer que é um pouco óbvio que é manipulação", acrescentou.

O artigo citou fontes anônimas próximas a Strauss-Kahn. Elas disseram que um amigo que trabalha como pesquisador do UMP teria alertado que pelo menos um dos emails particulares enviados pelo ex-chefe do FMI, por meio de seu BlackBerry teria sido lido na sede do partido.

A reportagem chamou a atenção para a comportamento dos funcionários do Hotel Sofitel em Nova York, onde ocorreu o suposto assédio. Ela informava que um funcionário do hotel e um homem não identificado pareciam comemorar enquanto esperavam pela chegada da polícia após a gerência ter chamado os policiais ao local.

Não houve reação imediata do Accor Group, que é dono da rede Sofitel.

A reportagem fez um advogado de Strauss-Kahn, William Taylor, emitir um comunicado dizendo que a possibilidade de seu cliente ter sido alvo de um esforço deliberado para destruí-lo como força política não pode ser excluída.

Strauss-Kahn foi preso em Nova York em 14 de maio, a bordo de um avião que ia para a Europa, minutos antes da decolagem. Ele foi acusado de tentar estuprar Nafissatou.

Promotores depois retiraram as acusações criminais, deixando Strauss-Kahn livre para retornar à França, onde promotores decidiram que um outro caso de violação sexual, cuja vítima seria uma escritora, era muito antigo para ser analisado pela Justiça.

O furor da imprensa por Strauss-Kahn não cessou. Seu nome apareceu em reportagens sobre uma investigação de um grupo de prostituição no norte da França, conhecido como Carlton Affair.

Trata-se da descoberta, neste ano, de uma rede que fornecia prostitutas para clientes do luxuoso Hotel Carlton, na cidade de Lille.

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