Partido Liga Norte apoia Berlusconi em meio a crise na Itália

O partido Liga Norte, sócio importante na coalizão de governo da Itália, disse na segunda-feira que apoiará a permanência do primeiro-ministro Silvio Berlusconi no cargo, contrariando os apelos do ex-aliado Gianfranco Fini pela renúncia dele.

SILVIA ALOISI, REUTERS

08 de novembro de 2010 | 18h59

Em discurso no domingo, meses após seu rompimento com Berlusconi, Fini, que é presidente da Câmara dos Deputados, exigiu que o primeiro-ministro conservador renuncie para permitir a formação de uma nova coalizão de centro-esquerda.

Mas a Liga Norte, cada vez mais poderosa dentro do governo, disse que o Poder Executivo deve manter sua pauta, evitando ao menos por enquanto uma crise que leve à antecipação de eleições.

O presidente da República, Giorgio Napolitano, também desaconselhou manobras que apressem a queda do gabinete. Em nota, ele disse que o Executivo está diante de algumas "tarefas indispensáveis", como a lei orçamentária de 2010, que precisa ser aprovada pelo Parlamento ainda neste ano.

"A reunião de hoje foi positiva", disseram parlamentares da Liga Norte em nota após um encontro envolvendo o dirigente Umberto Bossi e Berlusconi. "Decidiu-se que levaremos adiante as reformas para realizar o programa (governamental)", acrescentou o texto.

A bola está agora novamente na quadra de Fini, que rompeu com Berlusconi em julho, em meio a acusações de falta de ética, privando o governo de sua maioria parlamentar.

Fini disse no domingo que, se Berlusconi insistir em ficar no cargo, um ministro, um vice-ministro e dois subsecretários ligados a Fini irão abandonar o governo, o que forçaria Berlusconi a reformular seu gabinete, provavelmente tendo de se arriscar em uma moção de confiança no Parlamento.

A maioria dos analistas diz que Berlusconi, enfraquecido por uma série de escândalos sexuais e de corrupção, tentará resistir sozinho, mas que o cenário mais provável é o de realização de eleições já no primeiro semestre de 2012, bem antes do fim da atual legislatura, em 2013.

A Itália tem resistido à crise financeira melhor do que seus pares da UE, conseguindo evitar os desgastes impostos pelos mercados a nações como Grécia, Portugal e Irlanda.

Mas analistas dizem que, tendo um dos maiores endividamentos do mundo, e bilhões de euros em títulos a serem rolados até o fim do ano, o país não pode se dar ao luxo de viver uma crise política prolongada e meses de paralisia das instituições de governo.

(Reportagem adicional de Ilaria Polleschi)

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