Partidos alemães de oposição alertam um ao outro contra unir forças a Merkel

Os dois principais partidos oposicionistas alemães advertiram um ao outro neste domingo contra a entrada na coalizão de governo da primeira ministra Angela Merkel, de tendência conservadora, depois das eleições de setembro, caso a centro esquerda não consiga a maioria dos votos.

Reuters

31 de março de 2013 | 12h32

O líder do partido Social Democrata (SPD) enviou uma estridente mensagem, incomum na política local, para os seguidores do partido Verde, que fez o mesmo em relação aos partidários do SPD. Na mensagem', os líderes alertavam para o risco de seus votos irem para um partido que poderia acabar tomando parte na coalizão de governo de Merkel.

O SPD e os Verdes querem formar uma coalizão de centro-esquerda depois das eleições de setembro, mas as pesquisas de opinião mostram que, por uma pequena diferença, eles não conseguirão alcançar a margem de votos necessária para formar um governo.

As sondagens indicam que as melhores chances de Merkel obter um terceiro mandado seriam se ela atraísse o apoio do SPD ou dos Verdes para a coalizão com seu partido, a Democracia Cristã (CDU).

Alarmado pelos flertes entre os Verdes e a CDU, o líder do SPD, Sigmar Gabriel, disse ao jornal Welt am Sonntag que os eleitores dos Verdes, legenda ambientalista, deveriam estar conscientes de que o partido poderá acabar na cama com a CDU se o SPD e os Verdes não conseguirem a maioria dos votos na eleição de 22 de setembro.

"Isso não pode ser descartado, e os eleitores dos Verdes deveriam saber disso", disse Gabriel. Ele afirmou que os Verdes se tornaram o "novo partido liberal" da Alemanha, já que estão buscando eleitores que antes apoiavam ou a CDU ou o Democrático-Liberal (FDP), legenda pró-negócios.

"Há muitas sobreposições entre a CDU e os Verdes agora", afirmou Gabriel, tentando convencer os eleitores linha-dura dos Verdes, que tradicionalmente veem os conservadores como os arquiinimgos políticos do partido.

O co-presidente dos Verdes, Cem Oezdemir, um dos mais eloquentes defensores na legenda de uma aproximação com a CDU, revidou rapidamente.

"Gabriel é um mercador de fanfarronices", disse Oezdemir ao jornal Die Welt. "Ele sabe que nós queremos derrotar o governo de centro-direita junto com o SPD. Mas não é suficiente se apoiar somente nos eleitores do SPD-Verdes. Se nós fôssemos fazer isso, o SPD iria rapidamente se voltar para Merkel, para formar uma outra grande coalizão."

As pesquisas mostram que nem a coalizão de centro-direita de Merkel nem a oposição de centro-esquerda têm apoio suficiente para conquistar a maioria necessária para governar a maior economia da Europa.

Sondagem do instituto Emnid, divulgada pelo Bild am Sonntag, revelou que os conservadores de Merkel teriam 39 por cento e seus aliados democrático-liberais, 5 por cento, o que resultaria em 44 por cento das cadeiras no Parlamento. O SPD obteria 26 por cento e os Verde, 15 por cento, resultando em 41 por cento.

O SPD e os verdes governaram juntos em uma coalizão entre 1998 e 2005. Depois disso, o SPD se uniu como partido minoritário ao governo de Merkel, em uma "grande coalizão", até 2009.

(Por Erik Kirschbaum)

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