Alvaro Barrientos/AP
Alvaro Barrientos/AP

Partidos catalães e bascos ganham votos, mas perdem força na Espanha

Legendas regionais devem enfrentar resistência de conservadores para conseguir fundos do governo

Reuters

21 de novembro de 2011 | 14h49

MADRI - Os partidos regionais catalães e bascos obtiveram mais votos do que nunca nas eleições parlamentares espanholas de domingo, mas a capacidade deles de arrancar fundos do governo central será sufocada pelo controle do Parlamento pelo partido conservador.

O governo central da Espanha muitas vezes está em desacordo com as regiões catalãs e bascas e as tensões políticas devem aumentar depois que as eleições fortaleceram alguns partidos que promovem a autonomia em relação ao resto do país.

O Partido Popular de Mariano Rajoy, de centro-direita, que é contrário ao aumento de poder de regiões autônomas, ganhou maioria absoluta na Câmara, uma vez que os espanhóis puniram os socialistas pela taxa de desemprego de mais de 21,5%, pela enorme dívida e por colocar o país perto de um resgate financeiro. Isso significa que o PP, ao contrário da maioria dos governos espanhóis antes dele, não precisará angariar votos dos partidos bascos e catalães para aprovar leis.

No passado, essas regiões ganharam concessões financeiras como forma de assegurar seu apoio. Mas tais acordos eram rejeitados em outros lugares da Espanha, onde os movimentos de independência basca e catalã são vistos com suspeita.

"Eu prometo governar sem sectarismo ... Ninguém precisa se preocupar. Meus inimigos só serão o desemprego, a dívida excessiva e a estagnação econômica", disse Rajoy em seu discurso de vitória, claramente acenando para os movimentos políticos autônomos.

O novo governo tem uma tarefa complicada em suas mãos se quiser manter a paz com as regiões, após décadas de desconfiança.

O PP tem suas raízes na velha Espanha centralista e na repressão dos catalães e bascos sob a ditadura do general Francisco Franco até sua morte em 1975. Alguns dos membros mais barulhentos do partido fizeram declarações vistas como anti-catalãs ou anti-bascas.

Xavier Vidal-Folch, comentarista político do jornal El Pais, disse que mesmo com uma grande maioria nacional, o PP ainda era apenas o terceiro partido mais votado na Catalunha e o quarto na região Basca.

Ele disse que o PP teria de fazer concessões para os líderes catalães e bascos ou "viver com um conflito latente que se aprofunda e vai piorar o mau humor nas ruas".

Amaiur

Algo que pode ajudar a manter a paz política é o fato de que os espanhóis em todos os lugares estão muito mais preocupados com a economia do que com a nacionalidade, disse Carlos Barrera, professor de política da Universidade de Navarra.

 

"Mas a força da vitória do Amaiur (de esquerda) deve ser levada em conta", disse ele, referindo-se a um reagrupamento de antigos partidários do movimento separatista basco ETA. O Amaiur ganhou surpreendentes sete assentos no Parlamento, no domingo, superando os nacionalistas bascos moderados do PNV em sua estreia eleitoral.

Semanas antes da eleição, o ETA renunciou a sua luta armada de quatro décadas para formar uma pátria basca, uma era de bombardeios e tiroteios que assolou todo o país. O Amaiur ainda favorece a independência para os bascos.

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