Partidos gregos negociam coalizão e revisão do pacote

Partidos políticos gregos reunidos nesta terça-feira disseram ter a expectativa de formar um governo de coalizão em breve, para então buscarem concessões nas dolorosas medidas de austeridade vinculadas ao pacote internacional de resgate financeiro ao país.

RENEE MALTEZOU E GEORGE GEORGIO, REUTERS

19 de junho de 2012 | 09h02

Antonis Samaras, líder do partido conservador Nova Democracia que venceu a eleição de domingo, tem o apoio de seu provável parceiro, o socialista Pasok, para renegociar os termos do pacote.

"A Grécia deve e irá ter um governo assim que possível", disse o líder socialista Evangelos Venizelos após se reunir com Fotis Kouvelis, líder do pequeno Esquerda Democrática, outro provável parceiro da coalizão.

"Há uma necessidade de formar uma equipe nacional de negociação que lide com a revisão de termos duros do acordo de resgate", acrescentou.

Mas é improvável que a Grécia chegue ao final do dia com um novo governo, pois o partido de Kouvelis, que durante a campanha propunha rejeitar o pacote, disse que vários pontos precisam ser negociados.

"Haverá um governo, mas não sei se ele será formado até esta noite. Acredito que teremos alcançado um governo até o final da semana", disse ele a jornalistas.

Antes, um funcionário do Nova Democracia disse esperar que o acordo com o Pasok saísse na terça-feira. Samaras, que tem prazo de três dias para formar uma coalizão, deve realizar mais reuniões durante o dia.

O Nova Democracia e o Pasok se alternaram no poder entre o fim do regime militar grego, em 1974, e o ano passado, quando a crise econômica forçou os arquirrivais a partilharem o poder, num governo de unidade nacional favorável ao pacote financeiro internacional.

Mas o apoio ao Pasok despencou neste ano, deixando-o num distante terceiro lugar eleitoral, atrás do Nova Democracia e do esquerdista Syriza, que propunha cancelar as medidas de austeridade exigidas pelos credores e negociar um novo "plano nacional de recuperação".

Numa notável mudança de tom desde a eleição de domingo, líderes de partidos que antes apoiavam o resgate agora falam abertamente em renegociar seus termos junto à União Europeia e o Fundo Monetário Internacional.

Parceiros europeus, especialmente a Alemanha --maior economia do bloco-- admitem rever alguns prazos de pagamento dos empréstimos, mas rejeitam repetidamente a renegociação dos termos.

"O novo governo deve se ater aos seus compromissos, com os quais o país concordou", disse a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, durante reunião do G20 no México.

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