Partidos gregos tentam evitar eleição que radicais devem vencer

Os líderes do partidos políticos que durante décadas dominaram o cenário na Grécia fazem nesta sexta-feira uma última tentativa de formar uma coalizão para evitar a convocação de uma nova eleição, que segundo pesquisas daria a vitória aos radicais de esquerda que rejeitam a ajuda da União Europeia ao país.

HARRY PA, REUTERS

11 Maio 2012 | 08h37

A imensa maioria dos gregos quer permanecer na zona do euro, mas votou no último domingo em partidos que rejeitam os termos rígidos para a ajuda negociados no ano passado. Líderes europeus dizem que a Grécia será excluída da moeda comum se rejeitar as medidas de austeridade, que incluem aumento de impostos e corte de salários.

O líder do socialista PASOK, Evangelos Venizelos, cujo partido era o principal da Grécia mas que ficou apenas num distante terceiro lugar na eleição, foi o mais recente político a considerar a formação de um governo.

Ele encontrou-se com o rival conservador Antonis Samaras, cujo partido Nova Democracia ficou em primeiro na eleição mas que não conseguiu montar uma coalizão. Se Venizelos também falhar, todos os partidos terão uma última chance antes que novas eleições sejam convocadas nas próximas três ou quatro semanas.

Após o encontro, Samaras disse a parlamentares de seu partido que estava tentando evitar as novas eleições, mas que não tinha medo delas. "Estamos lutando para formar um governo e ainda temos esperanças", disse ele.

No entanto, o líder do partido moderado grego Esquerda Democrática, Fotis Kouvelis, minimizou as esperanças de um acordo, afirmando nesta sexta-feira que ele não fará parte de qualquer governo pró-resgate e que o país se encaminha para novas eleições.

"Nós deixamos claro, o partido Esquerda Democrática não participará de um governo com o Nova Democracia e o PASOK", disse Kouvelis em uma reunião com grupo de parlamentares de seu partido.

Uma nova votação pode ser catastrófica para Samaras, cujo partido se beneficiou no domingo de uma regra que dava um bônus de 50 assentos no Parlamento ao grupo que ficasse em primeiro nas eleições.

Em uma nova eleição ele perderia essas vagas -mais de um terço do contingente pró-resgate no Parlamento de 300 assentos- para o radical de esquerda Alexis Tsipras, tornando inconcebível que um novo governo apoie o resgate.

PASOK e Nova Democracia negociaram juntos o resgate de 130 bilhões de euros da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e são os únicos partidos que atualmente defendem o acordo.

Eleitores frustrados com as medidas de austeridade implementadas no país impuseram uma dura derrota às duas legendas, reduzindo a votação conjunta de ambos de 77 por cento para 32 por cento no último domingo.

Uma pesquisa de intenção de votos divulgada na quinta-feira mostrou que uma nova votação daria a vitória ao partido Coalizão de Esquerda Siryza, do líder radical Tsipras e que rejeita o resgate da UE/FMI.

Tsipras, cujo partido ficou em segundo na votação, também fracassou em sua tentativa de formar uma coalizão.

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