Partidos irlandeses discutem antecipação de eleição

A oposição pressionou o governo irlandês nesta segunda-feira para estabelecer uma data para as eleições parlamentares, o que pode significar que a coalizão de Brian Cowen seja a primeira a ser derrubada pela crise da zona do euro.

PADRAIC HAL, REUTERS

24 de janeiro de 2011 | 14h06

Os principais partidos de oposição, que estão na melhor posição para formar o próximo governo, ameaçaram derrubar o governo de Cowen nesta semana a não ser que ele concorde em acelerar a aprovação de importantes leis financeiras, permitindo que as eleições sejam realizadas até o dia 25 de fevereiro, ao invés do dia 11 de março, data convocada por Cowen.

Os parceiros da coalizão de Cowen renunciaram no domingo, encerrando uma semana calamitosa em que oito ministros renunciaram, o premiê fracassou numa tentativa de reformar o gabinete, e abdicou da liderança do partido Fianna Fail.

"Como um governo de minoria, o Fianna Fail não pode ditar a ordem dos negócios", disse a porta-voz do Partido Trabalhista, Joan Burton, à emissora RTE.

O partido Fianna Fail, desesperado para eleger um líder para substituir Cohen e enfrentando uma possível aniquilação nas eleições, está tentando ganhar tempo.

No centro da disputa está a tramitação no Parlamento de uma lei relacionada ao orçamento de austeridade 2011, uma importante condição para o pacote de resgate da UE/FMI.

Se os dois lados não concordarem em acelerar a aprovação da proposta de lei financeira durante a reunião das 14h (horário de Brasília) nesta segunda-feira, os partidos da oposição tentarão nesta semana derrubar o governo através de votos de confiança no Parlamento.

Analistas esperam que um acordo seja alcançado.

Uma eleição imediata arquivaria a proposta de lei até que um novo governo seja formado. Apesar de não afetar, necessariamente, as metas fiscais o país -- as medidas tributárias da lei já estão sendo implementadas -- isso poderá significar que a Irlanda não consiga aprovar o orçamento até o final de março.

Tal atraso enviaria a mensagem errada aos investidores, que já estão céticos de que a Irlanda possa cumprir com suas metas fiscais e de dívida diante de seu fraco crescimento econômico.

A Irlanda passa por uma aguda crise econômica e teve de pedir um resgate financeiro de 85 bilhões de euros da União Europeia e do FMI no final de 2010. Nesse cenário, o eleitorado se mostra ansioso para se livrar de Cowen e do seu impopular partido Fianna Fail.

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