Partidos italianos em impasse na abertura do Parlamento

Os partidos italianos não conseguiram superar suas diferenças em uma votação para presidentes do Parlamento neste sábado, aprofundando o impasse depois das eleições do mês passado e levantando a possibilidade de uma volta às urnas em alguns meses.

JAMES MACKENZIE, Reuters

16 de março de 2013 | 14h18

A Itália está presa em um impasse desde a eleição de fevereiro, que viu a aliança de centro-esquerda de Pier Luigi Bersani obter maioria na Câmara, mas não alcançar os números necessários para controlar também o Senado e formar um governo.

Com as lembranças ainda frescas da crise que levou o primeiro-ministro Mario Monti ao poder em 2011, o impasse provocou temores de que os mercados de títulos possam se assustar, reacendendo a turbulência e pondo em risco a capacidade do governo de administrar a dívida pública de 2 trilhões de euros.

Na votação de sábado, a Câmara elegeu Laura Boldrini, da centro-esquerda, como presidente depois que o Movimento 5 Estrelas do popular comediante Beppe Grillo, que detém o equilíbrio de poder no Parlamento, rejeitou a oferta de Bersani de apoiar seu candidato.

Embora o resultado tenha dado à centro-esquerda a influente cadeira de presidente da Câmara, ele destacou o fracasso de Bersani em garantir um acordo mais amplo com o Movimento 5 Estrelas anti-establishment que poderia ter permitido a ele a formação de um governo.

Autoridades do bloco de centro-direita do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, com quem Bersani descartou qualquer forma de aliança, disseram que o resultado da votação mostrou que a centro-esquerda não seria capaz de governar.

"É difícil imaginar qualquer solução que não envolva ir às urnas", disse o ex-ministro da Indústria Paolo Romani, um dos aliados mais próximos de Berlusconi no Parlamento.

O cenário pode se tornar mais claro ainda neste sábado, quando o elaborado procedimento de votação de várias rodadas estiver completo e o Senado eleger seu presidente.

Depois de várias rodadas, a votação ficou em uma escolha entre o ex-juiz antimáfia Piero Grasso, da centro-esquerda, e Renato Schifani, o ex-presidente do Senado, de centro-direita.

Ciente da ameaça de instabilidade, o presidente Giorgio Napolitano soltou um comunicado dizendo que Monti permaneceria no cargo até que um novo governo seja formado.

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