Pelo menos 10 morrem em confrontos na Ossétia do Sul

Após líder georgiano pedir cessar-fogo, forças da Geórgia e separatistas voltam a se enfrentar em Tskhinvali

Agências internacionais,

07 de agosto de 2008 | 17h57

Forças da Geórgia e separatistas romperam nesta quinta-feira, 7, o cessar-fogo em Ossétia do Sul horas depois das partes concordarem em dialogar na sexta-feira. Pelo menos 10 membros das forças da Geórgia e civis foram mortos em violentos combates com os separatistas na capital da província, Tskhinvali, declarou o porta-voz do Ministério do Interior, Shota Utiashvili. Os choques aparecem dias depois dos enfrentamentos que despertaram o temor de uma nova guerra no Cáucaso.  "Separatistas abriram fogo contra duas aldeias da Geórgia, Prisi e Tamarasheni, e nós tivemos que responder aos ataques", declarou o secretário do Conselho Nacional de Segurança da Geórgia, Kakha Lomaia.  As forças georgianas começaram uma operação para "restaurar a ordem constitucional" em Ossétia do Sul, informou a agência russa Interfax, citando um alto comandante da Geórgia. Mais cedo, o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, propôs um cessar-fogo imediato com os militantes separatistas. Ele reforçou a oferta de "autonomia completa" para a região. Segundo o presidente, a Rússia pode ser o fiador desta autonomia, pois já teria indicado que deseja refrear os separatistas.  "Eu ofereço a vocês um cessar-fogo imediato e o início imediato de negociações", disse Saakashvili em um discurso televisionado.  A agência russa Interfax informou que centenas de voluntários da Rússia e da Abkházia seguiam para a província da Ossétia do Sul para se juntar aos separatistas que lutam contra Tbilisi.  As regiões de Ossétia do Sul e Abkásia, na Geórgia, têm o apoio político e financeiro da Rússia, mas a Geórgia, ex-membro da União Soviética, se alinhou com o ocidente e quer se filiar à Otan.  O país fica no coração de uma região que está se tornando uma rota vital no transporte de energia. Os separatistas da Ossétia do Sul querem se unir à republicano russa da Ossétia do Norte. Ainda nesta quinta, a chancelaria da Geórgia denunciou que "o regime separatista e criminoso de Tskhinvali" ataca as aldeias e tropas georgianas para "provocar combates em grande escala e frustrar o diálogo direto." O comunicado afirma que os separatistas "procuram manter-se no poder graças à ajuda militar da Rússia", que "é ilegal e supõe um novo ato de agressão contra a Geórgia". Moscou, por sua parte, declarou que "a responsabilidade pelo agravamento da situação recai sobre a parte georgiana." "Pedimos à Geórgia que detenha sua atividade militar irresponsável na Ossétia do Sul, onde a situação é muito perigosa e adquire contornos dramáticos", disse à agência russa o vice-ministro de Exteriores russo, Grigori Karasin.  Conselho de Segurança Os membros do Conselho de Segurança da ONU aceitaram um pedido da Rússia e irão realizar uma rara reunião na noite desta quinta-feira para discutir os choques entre governo e separatistas em Ossétia do Sul, após a Geórgia enviar tanques à província. Na sessão de urgência, será tratada "a situação da Geórgia", disse um diplomata da Bélgica, que ocupa a presidência temporária do Conselho. Não estava claro que ação a ONU poderia tomar.  (Matéria atualizada às 21h45) 

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