PERFIL-Zapatero enfrenta teste em seu novo mandato na Espanha

Depois de chegar ao poder num golpe desorte, em 2004, e de se beneficiar de um "boom" econômico semprecedentes, o primeiro-ministro de Espanha, José LuisRodríguez Zapatero, quase não precisou mostrar força emmomentos de dificuldades. Até agora. A economia em 2008 piora rapidamente, e a primeira tarefado dirigente socialista após sua reeleição, no domingo, serácontrolar uma onda de desemprego que já atingiu 300 milpessoas. Em quatro anos, este delgado conferencista de Direito dointerior, depois de muito tempo como coadjuvante em seu própriopartido, revolucionou a sociedade espanhola, transformando oque era um dos países mais conservadores da Europa num dos maisliberais. Ele legalizou o casamento homossexual, reduziu o papel daIgreja Católica na educação e reforçou as leis de igualdadeentre os gêneros. Na política econômica, até agora Zapatero apenas manteve arédea curta, aproveitando o orçamento equilibrado e mantendo aboa fase que lhe valeu sucessivas avaliações positivas naspesquisas de opinião pública. Mas economistas prevêem que o PIB, depois de crescer 3,8por cento em 2007, deve cair para 2 por cento neste ano. Opreço da moradia, que triplicou em uma década, está em queda, ea inflação subiu para 4,4 por cento. O primeiro-ministro promete gastos públicos, especialmenteem obras de infra-estrutura, que dariam empregos a operários daconstrução civil. Mas essa estratégia pode ter problemas se acrise global de crédito se arrastar. Zapatero também enfrentará desafios vindos das regiõesespanholas, especialmente a Catalunha e o País Basco, quereceberam mais autonomia no atual governo socialista. A questãobasca é justamente uma das maiores frustrações do primeiromandato, devido ao insucesso na tentativa de negociar a paz como grupo separatista ETA -- uma negociação que Zapatero jáprometeu não repetir. "Seu estilo de liderança não se baseia em dominar aspessoas ao redor, mas em buscar o consenso", disse Juan LuisPaniagua, professor de Política na Universidade Complutense deMadri. "Mas por trás do rosto sorridente há bastantedeterminação", afirmou. Nesta campanha eleitoral, Zapatero se mostrava como ocandidato da modernidade, contrapondo-se ao tradicionalismocatólico e pessimista da oposição conservadora. Mesmo seus seguidores, porém, admitem que ele não teriachegado ao governo se a Espanha não tivesse vivido uma tragédiahá quatro anos -- os atentados islâmicos que mataram 191pessoas nos trens de Madri em março de 2004, a três dias daseleições. Até então, Zapatero estava atrás do PP nas pesquisas. Mas ogoverno conservador da época, que levara a Espanha à impopularguerra do Iraque, tentou atribuir os atentados ao ETA, para queo eleitorado não considerasse que os ataques haviam sido umaretaliação pelo apoio aos EUA no conflito militar. A acusação contra o ETA não se sustentou, e a manobra dogoverno criou uma onda de indignação que favoreceu a eleiçãodos socialistas no domingo seguinte às explosões.

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