Pesquisa mostra que ucranianos querem país unido

Uma pesquisa com cerca de 1.700 ucranianos mostrou que a maioria deseja que seu país permaneça unido, mesmo com os persistentes desacordos sobre a influência da Rússia e que as diferenças regionais ressaltem as tensões acerca do governo de Kiev, mostrou o levantamento divulgado nesta quinta-feira.

Reuters

08 Maio 2014 | 15h59

Na pesquisa realizada no mês passado, 77 por cento dos entrevistados disseram querer que as fronteiras do país permaneçam intactas, enquanto 14 por cento responderam que partes do país deveriam ter permissão para se separar, mostrou a pesquisa conduzida pelo Centro de Pesquisa Pew, sediado em Washington.

Mas o levantamento, feito após a anexação da Crimeia pela Rússia em março e antes da recente violência que assolou todo o sudeste e leste ucranianos, também mostrou uma clara discordância entre leste e oeste sobre a questão. Enquanto 93 por cento dos que moram no ocidente dizem que o país deveria se manter unido, 70 por cento dos que moram no oriente concordam com essa opinião.

"Uma maioria clara de ucranianos concorda que o país deve permanecer um só Estado unificado", concluíram os pesquisadores do Pew. "A pesquisa na Ucrânia também revelou uma clara reação negativa sobre o papel desempenhado pela Rússia no país."

Enquanto o Pew concluiu que "os grupos étnicos ucranianos e os grupos étnicos russos têm uma visão favorável uns dos outros", o centro de pesquisa afirmou que os resultados também "mostram extremas divisões regionais, especialmente quando relacionada com questões como línguas oficiais e governança."

No geral, cerca de metade dos pesquisados disseram que o governo em Kiev exerce uma boa influência sobre as direções tomadas pelo país, enquanto 41 por cento discordam. Mas na região oeste da Ucrânia, onde fica Kiev, 60 por cento disseram não estarem satisfeitos com o governo, e 67 por cento dos entrevistados disseram que o governo leva o país na direção errada.

De acordo com a pesquisa realizada entre 5 e 23 de abril, diferenças regionais similares surgiram acerca da língua oficial da Ucrânia e sobre se tanto o russo como o ucraniano deveriam ser reconhecidos.

Os ucranianos também permanecem divididos a respeito da influência dos Estados Unidos, com cerca de 40 por cento apontando como positiva e um número igual de entrevistados considerando o contrário.

Em relação à Rússia, 67 por cento dos ucranianos disseram que Moscou exerce uma má influência sobre o país, comparados aos 22 por cento que apoiam o papel desempenhado pelos russos.

Em uma outra pesquisa com 1.000 russos também divulgada nesta quinta-feira, cerca de dois terços disseram acreditar que partes de países vizinhos pertencem à Rússia, disse a Pew.

(Reportagem de Susan Heavey)

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