Pesquisas indicam vitória de Cameron em debate decisivo no Reino Unido

Confronto entre líderes partidários sobre economia foi franco, baseado em propostas e com direito a duelo pessoal entre Brown e Cameron

29 de abril de 2010 | 19h20

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo

 

Cameron, Clegg e Brown se enfrentam em debate sobre economia

 

LONDRES- Se o último debate da campanha eleitoral, realizado nesta quinta-feira, 29, na Universidade de Birmingham, for tão decisivo como todos acreditavam no Reino Unido, o líder do Partido Conservador, David Cameron, está em vantagem no pleito de 6 de maio.

 

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De acordo com as primeiras pesquisas de opinião divulgadas no fim da noite, o candidato foi o "vencedor" na opinião dos espectadores, superando com larga vantagem - 41% contra 25% - seu maior adversário, o atual premiê Gordon Brown.

 

Os três candidatos ao cargo de primeiro-ministro protagonizaram uma discussão dinâmica, por vezes apaixonada e ideológica, sobre a economia e a crise que abala as finanças do país desde 2008.

 

Em temas como cortes orçamentários, regulação do sistema financeiro e política fiscal, Brown, Cameron e o liberal-democrata Nick Clegg apresentaram propostas repletas de cifras e muitas vezes antagônicas.

 

Apesar de nova participação segura do liberal-democrata, o duelo entre o primeiro-ministro trabalhista e o líder conservador capturou as discussões mais importantes.

 

Segundo o instituto de pesquisas YouGov, Cameron foi o mais bem-sucedido para 41% dos expectadores. Clegg foi o preferido de 32%, enquanto Brown acabou com 25% das opiniões favoráveis. A mesma tendência apareceu na sondagem do instituto ComRes, no qual o conservador também obteve a frente: 35%, contra 33% de Clegg e 26% de Brown.

 

Já o "medidor de reações" do jornal londrino The Guardian, que verificava em tempo real a aprovação dos espectadores, indicou 226 mil manifestações de apoio ao liberal-democrata, 128 mil para o trabalhista e 80 mil para o conservador.

 

O terceiro e último debate, veiculado pela rede de TV pública BBC, era apontado por especialistas e pela opinião pública como o ápice da campanha, sete dias antes da eleição. A razão para tanta expectativa estava no seu tema: economia.

 

O duelo esperado era entre Brown e Cameron, cujos partidos têm propostas antagônicas sobre como reduzirão o déficit público do país - da ordem de 12% do PIB.

 

"Nossa economia está encalhada e é preciso mudar para devolvê-la ao crescimento", afirmou Cameron, propondo valorizar o trabalho e reduzir "a dependência do Estado de bem-estar social". O conservador ainda reafirmou sua aversão à maior integração com a União Europeia. "Com a Grécia nas manchetes, posso lhes garantir que eu nunca irei aderir ao euro", disparou.

 

Brincando com a gafe cometida na quarta-feira - quando foi flagrado por microfones chamando uma eleitora de "fanática" -, Brown disse que "não faz sempre tudo certo", mas tentou apresentar-se como o homem capaz de evitar uma crise maior no Reino Unido. "As economias da Europa estão a perigo. E corremos o risco de a crise nos arrastar para a recessão", advertiu. "É o seu futuro que estará na cédula na próxima quinta-feira. E eu sou o único a lutar pelo seu futuro."

 

Em diversos momentos, Clegg - cuja candidatura foi catapultada por sua participação nos dois primeiros debates - tentou posicionar-se como uma alternativa, em meio ao fogo cruzado entre os concorrentes. "Não deixe ninguém lhe dizer que (a mudança) não pode acontecer. Pode. Desta vez, você pode fazer a diferença."

 

Até a tarde desta quinta, sondagens indicavam a divisão do Parlamento em três forças, com maior bancada do Partido Trabalhista.

 

Gafe

 

A gafe do primeiro-ministro Gordon Brown, que na quarta-feira foi flagrado por microfones chamando uma eleitora com quem conversara de "mulher fanática", não teve o efeito devastador que se imaginava.

 

Pesquisa realizada pelo instituto YouGov na mesma noite indicou que 50% dos britânicos consideram o episódio "uma tempestade em uma xícara de chá", enquanto 46% respondem que "Brown foi hipócrita" ao agir de uma forma em público e de outra em privado.

 

A sondagem mostra que o prejuízo à imagem do premiê foi limitado. Segundo 83% dos entrevistados, o episódio não alterará seu voto. Outros 9% afirmaram que deixariam de votar nos Trabalhistas, enquanto 3% afirmaram que passariam a votar em Brown.

 

Outra constatação da pesquisa é de que o jornal The Sun vem ultrapassando limites da ética jornalística na cobertura das eleições. Depois de encomendar a pesquisa ao instituto YouGov, o tabloide decidiu não publicar as informações, que não eram tão ruins como o imaginado para a sorte do primeiro-ministro.

 

Em setembro de 2009, o The Sun abriu voto em favor do líder do Partido Conservador, David Cameron. A revelação veio a público porque, pela legislação eleitoral britânica, toda pesquisa de opinião realizada deve ser publicada no site oficial do instituto.

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