Pesquisas mostram apoio a reformas de Renzi na Itália

Mais de 60 por cento dos eleitores italianos apoiam as reformas das eleições propostas pelo líder de centro-esquerda Matteo Renzi, e 50 por cento gostaram de seu acordo sobre o pacote de medidas com o rival de centro-direita Silvio Berlusconi, de acordo com uma pesquisa de opinião divulgada neste sábado.

Reuters

25 de janeiro de 2014 | 11h45

A sondagem, feita pelo instituto Ipsos para o diário Corriere della Sera, é uma mostra da força de Renzi, que insistiu nas propostas apesar do pessimismo de muitos de seus próprios partidários semanas após obter a liderança do Partido Democrático (PD).

O pacote está sendo acompanhado de perto pelos parceiros europeus da Itália, como um indicativo de se a chegada de Renzi como chefe do maior partido da coalização do primeiro-ministro Enrico Letta pode significar reformas mais profundas na economia, incluindo um programa de empregos que ele prometeu para os próximos dias.

As propostas foram pensadas para substituir o atual sistema, que levou a culpa pelo impasse após as eleições de fevereiro do ano passado, que impediram qualquer lado de estar apto a governar sozinho e forçaram as outras duas principais legendas da esquerda e da direita a entrarem em uma frágil coalizão que teve problemas para aprovar reformas importantes.

A pesquisa mostrou que 61 por cento acham que o pacote é favorável ou muito favorável, contra 35,5 por cento que se opuseram. Renzi, que tem ofuscado Letta cada vez mais mesmo sem ser membro do governo, também recebeu apoio em sua decisão de desafiar os críticos de seu partido e selar um acordo sobre o pacote com Berlusconi, um inimigo do PD.

A sondagem mostrou que 50 por cento, incluindo 54 por cento dos eleitores do PD e 75 por cento dos partidários do partido Forza Itália, de Berlusconi, apoiaram a medida. Alguns aliados de Renzi criticaram o líder por negociar com Berlusconi, que está afastado do Parlamento depois de ser condenado por fraude fiscal.

As propostas favorecerão grandes partidos e fortes coalizões, estabelecendo elevados limites mínimos para entrar no Parlamento e garantindo uma maioria consolidada para o vencedor, com um segundo turno possível para separar os dois partidos com mais votos.

Uma outra reforma, separada mas relacionada à outra, pretende concentrar o poder na câmara baixa do Parlamento e diminuir a relevância dos governos regionais. Ela deve ser finalizada no próximo mês.

Essa reforma, que também tornaria o Senado uma casa das regiões, sem poder para aprovar ou vetar leis, precisará de mudanças constitucionais mais complicadas e que levarão pelo menos um ano para serem aprovadas.

As mudanças no sistema eleitoral devem ir para votação do Parlamento na próxima semana, e alguns partidos menores, que correm o risco de serem varridos do mapa político italiano, devem pressionar por mudanças.

Uma legenda precisaria ter pelo menos 5 por cento dos votos nacionais para entrar no Parlamento como parte de uma coalizão, e pelo menos 8 por cento para ingressar por conta própria.

De acordo com as atuais pesquisas de opinião, isso eliminaria o bloco centrista da coalizão de Letta, assim como o pequeno Esquerda, Ecologia e Liberdade, além do regionalista Liga Norte, normalmente um aliado de Berlusconi.

As medidas não permitirão a eleição direta de deputados. Em vez disso,os eleitores votariam em uma lista de candidatos propostos pelos partidos, algo que foi criticado por dar muito poder para os chefões das legendas.

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