Pesquisas mostram vantagem na centro-direita na Alemanha

Nova coalisão de Angela Merkel conta com pequena maioria dos entrevistados; eleições serão no domingo

Agência Estado e Associated Press

23 de setembro de 2009 | 14h50

Pesquisa de opinião publicada nesta quarta-feira mostra que a coalizão de centro-direita que a chanceler Angela Merkel quer formar para o próximo governo conta apenas com uma pequena maioria do eleitorado. As eleições na Alemanha acontecem no próximo domingo.

 

Merkel quer pôr fim à "grande coalizão" com o Partido Social Democrata (SPD), de centro-esquerda, e formar um novo governo com o Democratas Livres (FDP) após o pleito de domingo. A pesquisa feita pela agência Forsa, realizada entre os dias 15 e 21 de setembro, reforçam as expectativas para uma corrida

apertada.

 

Trinta e cinco por cento dos entrevistados demonstraram apoio ao Partido Democrata Cristão (CDU), de Merkel, e à União Social Cristã (CSU), da Baviera. Isso é dois pontos porcentuais a menos na comparação com o levantamento realizado em 14 de setembro.

 

A pesquisa mostrou que o apoio aos Democratas Livres subiu um ponto, para 13%, o que daria à potencial aliança de centro-direita um total de 48%, comparado com 47% de todos os seus rivais combinados.

O apoio ao Partido Social Democrata do ministro de Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier subiu dois pontos porcentuais, para 26%. A intenção de votos para os opositores Partido Verde e A Esquerda não sofreram alterações, ficando em 11% e 10% respectivamente.

 

Steinmeier, o principal adversário de Merkel para o cargo de chanceler, tem concentrado sua campanha em tentar evitar um governo de centro-direita. Embora seja pouco provável que ele se torne chanceler, ele se beneficiou de sua boa performance durante um debate televisivo no dia 13 de setembro com Merkel.

 

Merkel prometeu diminuir os impostos para estimular o crescimento econômico e quer interromper os planos para fechar as 17 usinas nucleares alemãs até 2021. Se seu partido e aliados não conseguirem formar uma maioria de centro-direita, uma nova "grande coalizão" pode ser formada.

 

O presidente da Forsa, Manfred Guellner, disse à revista Stern, para a qual a pesquisa foi feita, que não espera que os eleitores mudem de opinião neste estágio da campanha eleitoral. "A corrida será apertada de novo", disse ele, acrescentando que a centro-direita pode ser ajudada por uma peculiaridade do

sistema eleitoral que dá aos alemães dois votos: um para um representante eleito diretamente e outro para uma lista do partido.

 

O sistema permite que mais assentos parlamentares sejam conquistados se um partido conquistar mais cadeiras diretamente do que obteria sob a distribuição proporcional. A Suprema Corte alemã decidiu que o sistema deve ser alterado até 2011.

 

Merkel prometeu formar uma coalizão com os Democratas Livres mesmo se a centro-direita tiver apenas um assento de maioria.  O maior sindicato industrial da Alemanha, o IG Metall, pediu que as pessoas votassem contra a centro-direita, pois afirma que a vitória do grupo poderia ser ruim para os direitos dos

trabalhadores. "Nós queremos evitar uma coalizão que é hostil aos empregados. Cada voto é necessário para isso", disse o vice-líder do sindicato, Detlef Wetzel.

 

Os resultados obtidos pela Forsa estão de acordo com os apurados por três pesquisas divulgadas na sexta-feira por outras agências.Uma indicou que os partidos de centro-direita estavam empatados com seus rivais e as outras duas deram a eles a liderança por até três pontos porcentuais.

 

A Forsa entrevistou 2.503 pessoas e a margem de erro da pesquisa é de mais ou menos 2,5 pontos porcentuais. Investigação - A sede de um partido de extrema direita foi alvo de buscas policiais nesta quarta-feira. A polícia de Berlim disse em comunicado que as buscas foram feitas na sede do Partido Nacional Democrático e também na casa do chefe de seu escritório na capital. Eles disseram que três computadores, vários discos e o original de uma carta enviada a candidatos descendentes de estrangeiros foram apreendidos.

 

As cartas foram enviadas pelo escritório berlinense do partido para 30 políticos descendentes de imigrantes que concorrem às eleições gerais de domingo. A carta diz que "de acordo com um plano de cinco passos...estrangeiros devem ser repatriados para seus países de origem". Promotores abriram uma investigação que pode levar a acusações de incitamento racial.

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