Pilotos voltam a ser acusados por acidente com voo da Air France

Um sindicato minoritário de pilotos teme que exista uma vontade de atribuir aos pilotos a responsabilidade pela catástrofe do voo AF447 da Air France, em vista da regularidade com que vêm sendo vazadas informações sobre a investigação.

REUTERS

28 de julho de 2011 | 16h47

Um terceiro relatório apresentando as "circunstâncias exatas" do acidente será divulgado na sexta-feira pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA), que vai apresentar "os primeiros pontos de análise e dados novos."

Sem aguardar o relatório, vários organismos de mídia relançaram a ideia de que os pilotos do Airbus A330 não teriam conseguido controlar a perda de velocidade do aparelho, que mergulhou no oceano Atlântico ao largo do Brasil na noite de 31 de maio de 2009, deixando 228 mortos.

De acordo com o portal do jornal francês Le Figaro, o relatório a ser publicado na sexta-feira questiona principalmente o papel da tripulação.

"A investigação concluiu que a tripulação da Air France estava em conformidade com as normas em vigor, que a tripulação conseguiu evitar uma zona de turbulência, fazendo um desvio de 12 graus da rota, e que as turbulências que o avião enfrentou no momento do acidente não tinham nada de excepcional", escreveu o jornal na quinta-feira.

"Todas as ações do avião correspondem às ordens do piloto, o que significa que são as ordens do piloto que levaram o avião a cair no oceano", acrescentou o jornal, ressaltando que "em momento algum a tripulação compreendeu que o avião tinha perdido a velocidade necessária para se sustentar no ar."

Guillaume Pollard, secretário-geral do sindicato Alter, parte civil no inquérito judiciário, destacou que a Airbus e a Air France foram indiciadas pelos juízes de instrução, com base nas peritagens judiciárias.

"Acontece que todos os vazamentos tendem a embasar a tese de um erro de pilotagem, e não se fala mais no papel das sondas Pitot, que calculam a velocidade", disse Pollard à Reuters.

"Isso representaria um alívio para a Airbus, a Air France e a DGAC (Direção Geral da Aviação Civil). É um acidente que levou muita gente a ser questionada."

No fim de maio, os investigadores do BEA divulgaram os últimos minutos da queda dramática do voo Rio-Paris, sem apresentar uma conclusão sobre as causas da catástrofe.

Mas o documento indicava que o piloto tinha aumentado a velocidade do avião, sendo que nas instruções a seguir em casos de perda de sustentação está previsto que ele deveria apontar o avião para baixo e ajustar a potência dos motores.

Se, para a Air France, esse segundo relatório reabilitar os pilotos e confirmar que uma pane das sondas esteve à origem do desligamento do piloto automático, fontes aeronáuticas questionariam a reação dos pilotos.

Uma simulação de voo da qual a France Info e o Le Point participaram levou à hipótese de que a tripulação teria sido pega de surpresa pela perda das indicações de velocidade, devida ao congelamento das sondas Pitot no momento em que a aeronave estava a 11 mil metros de altitude.

Quando o piloto automático se desligou, o piloto que estava no comando deveria ter puxado fortemente o controle, o que teria feito o avião subir até alcançar o limite de seu domínio de voo.

Cada vez que a tripulação teria tentado reposicionar o avião na queda, o alarme teria voltado a soar, o que teria apavorado os pilotos, dizem os jornais.

(Por Gérard Bon)

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