PKK promete depor armas em troca de concessões políticas

Rebeldes dizem em nota que problema curdo é social e não deve ser resolvido com violência, mas com projetos

Efe,

17 de março de 2008 | 10h37

O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) prometeu abandonar a luta armada em troca de concessões políticas e uma solução dialogada para o conflito curdo, informou nesta segunda-feira, 17, a agência pró-curda Firat.   No comunicado, a organização armada curda pede ao governo turco que inicie um processo de diálogo para pôr fim às mais de duas décadas de enfrentamentos entre o PKK e as forças de segurança turcas. "O problema curdo é um problema social. Por isso se trata de um problema que não pode ser resolvido com violência, mas com projetos sociais. Como movimento, queremos expressar que nenhuma das duas partes conseguiu nenhum resultado através da violência", declarou o PKK.   Os rebeldes curdos pegaram em armas em 1984 para reivindicar a independência dos 12 milhões de curdos que vivem na Turquia e, desde então, mais de 35 mil pessoas morreram em combates entre o Exército e o PKK.   Após a captura de seu líder Abdullah Ocalan, em 1999, o PKK declarou uma trégua unilateral não reconhecida pelo Estado turco, e que rompeu em 2006 com novos atentados.   Em referência à recente intervenção militar turca de oito dias no norte do Iraque para acabar com suas bases, o grupo armado, assinalou que "nem o Exército conseguiu terminar com o PKK, nem os sonhos de um Curdistão independente se tornaram realidade", e por isso se mostrou disposto a negociar com Ancara a entrega das armas.   O Partido da Sociedade Democrática (DTP), com 20 cadeiras no Parlamento turco e considerado o braço político do PKK, disse que a proposta de diálogo era "muito positiva". Por outro lado, o opositor Partido Republicano do Povo (CHP, nacionalista e laico) ressaltou sua posição contrária a "qualquer tipo de negociação com a organização terrorista".   O governo turco dirigido por Recep Tayyip Erdogan não respondeu à oferta do PKK. Em algumas ocasiões anteriores o grupo armado já havia feito anúncios semelhantes, mas os sucessivos Governos turcos sempre se negaram a negociar com o movimento, que consideram terrorista.   Em uma recente viagem ao povoado de Siirt, Erdogan apresentou um plano de desenvolvimento para a região sudeste da Turquia, de população majoritariamente curda. Dentro desse plano, está previsto o investimento de 6 bilhões de euros em um período de cinco anos, e a abertura de um canal de televisão estatal em curdo, árabe e persa em 2009.

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