Plano da oposição para imigrantes choca o governo espanhol

Líder conservador propõe que estrangeiros obedeçam leis, costumes, aprendam língua para terem cidadania

Agência Estado e Associated Press,

07 de fevereiro de 2008 | 13h47

A promessa de campanha da oposição conservadora de obrigar imigrantes a respeitarem os costumes espanhóis beira à xenofobia, disse nesta quinta-feira, 7, o ministro do Interior socialista.  O líder do conservador Partido Popular, Mariano Rajoy, em campanha para as eleições gerais de 9 de março, apresentou a proposta na quarta-feira na região da Catalunha, que abriga a maior parte dos imigrantes da Espanha. Seriam concedidos aos imigrantes - 10% dos 45 milhões de habitantes da Espanha - os mesmos direitos e benefícios dos cidadãos espanhóis caso eles cumprissem determinadas regras, propôs Rajoy. Especificamente, explicou, imigrantes tentando renovar visto de residência de um ano teriam de assinar um documento legal se obrigando a "obedecer às leis, respeitar os costumes espanhóis, aprender a língua, pagar seus impostos e trabalhar ativamente para se integrarem à sociedade espanhola e retornar a seus países se durante um certo período de tempo não conseguirem encontrar trabalho". O ministro do Interior Alfredo Rubalcaba considerou a proposta inócua, uma vez que os imigrantes já têm de se submeter às leis e desfrutam de direitos, como todos os espanhóis. "Acho que é fumaça que cheira um pouco a xenofobia", comentou.  Ele pediu a Rajoy para especificar "quem vai estabelecer a lista do que são bons costumes. Ele têm de nos explicar se os bons costumes serão os do senhor Rajoy ou os meus. Se serão os dos avós, dos pais ou dos adolescentes".  A proposta foi vista como uma cópia da apresentada por Nicolas Sarkozy quando era ministro do Interior da França em 2004. Javier Ramirez, representante do grupo de direitos humanos SOS Racismo, afirmou que a proposta é inconstitucional. "Os direitos não podem depender da nacionalidade ou de um status administrativo", avaliou. Mariano Rajoy alegou que os costumes aos quais ele se refere têm a ver com a igualdade entre homens e mulheres e que a Espanha proíbe, por exemplo, a mutilação genital. Casos isolados da prática foram registrados entre famílias de imigrantes africanos, especialmente na Catalunha. Rajoy prometeu que, se eleito, seu governo expulsará os imigrantes que cometerem crimes mesmo que seus documentos de residência estejam em ordem e imporá limites rigorosos à prática que autoriza familiares de imigrantes documentados a também requererem residência.

Mais conteúdo sobre:
Espanhaimigraçao

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.