Poderia ter matado todos sem que ninguém soubesse, diz Fritzl

Austríaco afirma que não é um monstro, pois teve oportunidade de matar os filhos presos no porão e não o fez

Agências internacionais,

07 de maio de 2008 | 09h08

O austríaco Josef Fritzl, detido por ter mantido sua filha Elisabeth, em um porão por 24 anos e ter sete filhos com ela, disse que não é um "monstro", pois teve a possibilidade de matar suas vítimas sem ser descoberto e não o fez. Segundo o jornal Österreich, esta declaração é parte do que Fritzl falou para seu advogado, Rudolf Mayer. Austríaca vítima de incesto pode pedir indenização do paiAustríaco queria usar filha para recriar família, diz investigador  Austríaco acusado de incesto alegará insanidade, diz advogado Austríaco preparou calabouço antes de raptar a própria filhaElisabeth Fritzl isenta mãe de culpa, diz revista "Poderia ter matado todos e não aconteceria nada. Ninguém me descobriria", declarou Fritzl. O jornal diz que Fritzl, um aposentado de 73 anos, criticou a imprensa por falar de forma arbitrária e parcial sobre ele. "Não sou um monstro", declarou.  De acordo com o Österreich, Fritzl lembrou que em 19 de abril ele mesmo decidiu tirar do porão sua filha Kerstin e a levar ao hospital por causa de grave estado de saúde. A jovem nasceu no porão da casa de Fritzl, em Amstetten, na Áustria. A menina, hoje com 19 anos, passou a vida inteira sem ver a luz natural. Foi o aparecimento de Kerstin no hospital que levou as autoridades a descobrirem este crime, um dos maiores da história da Áustria. Segundo a BBC, promotores austríacos estão interrogando Fritzl pela primeira vez, nesta quarta-feira. Um porta-voz da promotoria confirmou que o interrogatório de Josef Fritzl está sendo realizado na prisão onde o acusado está detido, em St. Poelten, mas não deu outros detalhes.  Não está claro que Fritzl estaria respondendo às perguntas. Apesar de ter inicialmente confessado os crimes, ele tem permanecido em silêncio desde então. Fritzl, de 73 anos, ainda não foi indiciado, mas os advogados de defesa já indicaram que pretendem alegar insanidade do acusado.  O Parlamento austríaco deve debater o caso nesta quarta-feira. O ministro do Interior, Guenther Platter e a ministra da Justiça, Maria Berger, devem se pronunciar sobre o caso. Berger disse ao jornal austríaco Der Standard que a polícia foi ingênua ao aceitar, em 1984, a versão de Josef Fritzl de que sua filha, Elisabeth, teria se juntado a uma seita.  "Olhando para tudo que sabemos até agora, eu posso ver uma certa ingenuidade, especialmente em relação ao fato de que ela teria se juntado a uma seita, que foi usado pelo suspeito para explicar o desaparecimento da filha", disse Berger ao jornal. Esta foi a primeira vez que as autoridades austríacas admitiram falhas na investigação sobre o desaparecimento de Elisabeth. Fritzl teve sete filhos com Elisabeth. Um morreu logo depois do nascimento, e três permaneceram presos no cativeiro com a mãe. Os outros três viviam com Fritzl e a mulher. Um deles havia sido legalmente adotado.  Berger também disse ser lamentável que Fritzl teria tido permissão para cuidar das crianças sem que as autoridades investigassem sua ficha criminal. Fritzl foi condenado e preso por estupro em 1967, mas a lei austríaca determina que informações sobre condenações cumpridas podem ser mantidas por apenas cinco anos. "Nós gostaríamos que esse procedimento tivesse sido adotado apesar de as adoções teriam sido feitas por familiares", disse a ministra.

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