Polícia afirma que austríaco pode ter cúmplice na família

Investigador afirma que "alguém tinha que saber de algo" sobre prisão e abusos de Elizabeth Fritzl em 24 anos

Agências internacionais,

30 de abril de 2008 | 09h55

O responsável pela Polícia da Baixa Áustria, Franz Polzer, que investiga o caso do austríaco que manteve a filha presa em um porão durante 24 anos, com quem teve sete filhos, afirmou nesta quarta-feira, 30, que "alguém da família Fritzl tinha que saber de algo" sobre as atrocidades que eram cometidas no subsolo da casa em que Josef Fritzl abusava de Elizabeth.   Austríacos fazem vigília por mulher que ficou presa em porão Josef Fritzl teria sido preso por estupro nos anos 70 Filhos de austríaca presa em porão se encontram em hospital DNA confirma que austríaco engravidou filha presa em porão Um drama no campo do inenarrável    Na terça, o mesmo oficial chegou a afirmar que não existiam provas que permitiam culpar qualquer membro da família, já que Fritzl "não deixou nenhuma pista que permitiria descobrir sua mentira, porque enganou todos: sua mulher, sua família e seus vizinhos". A medida que se passam os dias, são conhecidos mais detalhes sobre o 'monstro de Amstetten'. O aposentado austríaco tinha uma cômoda situação financeira, incluindo a propriedade de vários imóveis. Segundo os dados, ele é o único proprietário de seis imóveis, distribuídos por várias localidades do Estado federado da Baixa Áustria. Na lista estão a própria casa da família, três edifícios com diversos apartamentos e pontos comerciais, outra casa e um terreno, por um valor estimado em 2,2 milhões de euros.   Segundo a BBC, a polícia austríaca apurou que Alexander, um dos filhos de Elisabeth que vivia com Josef na parte de cima da casa, tinha acesso ao porão onde ficava o cativeiro. A informação veio de antigos inquilinos do réu, que apontaram terem presenciado o garoto ir ao local para buscar ferramentas. Franz Polzer, apontou que isto não significa haver indícios de que Alexander sabia da existência do cativeiro. Segundo ele, a entrada era muito escondida e mesmo os policiais, que sabiam o que estavam procurando, tiveram dificuldades para encontrá-la.   A polícia austríaca investiga ainda a possibilidade de Fritzl estar envolvido no assassinato não solucionado de uma adolescente. Uma fonte no comando da polícia da província de Áustria Alta disse por telefone que os investigadores estão tentando determinar se há relação entre Josef Fritzl e o assassinato de Martina Posch, ocorrido 22 anos atrás. O corpo de Posch foi encontrado na margem do lago Mondsee dez dias depois do desaparecimento dela. Martina Posch tinha 17 anos quando foi assassinada. De acordo com a imprensa austríaca, a esposa do suspeito mantinha na época uma pousada na margem oposta do lago.   O estado de saúde das vítimas do caso de encarceramento e incesto continuam "relativamente sem mudanças", segundo a equipe de médicos e psicólogos que atende a família afirmou nesta quarta. O hospital Mostviertel Amstetten-Mauer recebeu Elisabeth Fritzl, a mulher de 42 anos que, segundo a acusação policial, desde os 18 anos vivia em um porão trancada pelo seu pai, que a violentava sistematicamente, e cinco dos filhos nascidos desse incesto, assim como a mãe da vítima, Rosemarie.   O centro médico presta atendimento individual à família dia e noite, segundo fontes da clínica, que advertiram que não haveria mais informações a respeito. A "prioridade" atual da equipe de especialistas é justamente proteger a família afetada, principalmente "do grande interesse midiático, para evitar um trauma secundário", disseram as fontes à agência APA. "Temos que ser muito cuidadosos para não causar pressão nos pacientes", disse o diretor do hospital, Berthold Kepplinger, após afirmar que os membros da família mostram diversos graus e formas de trauma. Além disso, a jovem Kerstin, de 19 anos, filha mais velha de Elizabeth, continua na UTI de uma clínica de Amstetten em estado crítico, mas "estável", em coma induzido.   Reencontro   Autoridades austríacas disseram ter sido "emocionante" o reencontro entre Elisabeth, hoje com 42 anos e dois dos três filhos que viviam com ela no porão, com os outros três que moravam no andar de cima da casa, com o pai e a avó.  O encontro ocorreu em uma clínica psiquiátrica onde a família está recebendo tratamento.   A mulher de Fritzl, Rosemarie, que durante os 24 anos acreditou que a filha havia fugido de casa para se unir a uma seita religiosa, também ficou muito emocionada ao rever Elisabeth. "Foi impressionante a facilidade como mãe e filha se reaproximaram", disse Berthold Kepplinger, diretor da clínica psiquiátrica.   Kepplinger ainda disse que os membros da família interagiram com naturalidade, mas que duas das três crianças, com 18 e 5 anos - que passaram toda a vida sem ver a luz do sol - se comunicavam de maneira "completamente anormal".  O diretor da clínica disse também que Elisabeth "falou bastante" sobre os momentos terríveis que passou no porão, mas não revelou detalhes.

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