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Prisão de líder separatista na Alemanha causa protestos na Catalunha

Carles Puigdemont fugia da Justiça espanhola desde outubro, quando declarou a independência catalã e contrariou ordem do governo central de Madri

O Estado de S. Paulo

25 Março 2018 | 08h09
Atualizado 25 Março 2018 | 19h50

BARCELONA - Depois de cinco meses fugindo e se exilando pela Europa, o ex-governador da Catalunha Carles Puigdemont não conseguiu evitar a prisão neste domingo, 25, e foi detido na Alemanha, quando cruzava de carro a fronteira da Dinamarca. A prisão do separatista, acusado de rebelião pela Justiça espanhola e alvo de uma ordem de prisão europeia, provocou grandes manifestações na Catalunha.

Milhares de seguidores de Puigdemont se juntaram nas Ramblas, famosa avenida do centro de Barcelona, a pedido do grupo independentista Comitês de Defesa da República e, carregando bandeiras separatistas e cartazes pedindo “liberdade aos presos políticos”, se dirigiram para a delegação da Comissão Europeia em Barcelona, onde gritaram: “esta Europa é uma vergonha!”.

Alguns manifestantes lançaram lixo contra policiais catalães, que responderam com agressões a cassetete e disparos para o ar. “O que estão fazendo esses dias é totalmente desmedido. Nos tratam como criminosos por querermos a independência. Já não é uma questão de ideologia, mas de respeito aos direitos humanos”, disse Rosa Vela, de 60 anos. A estudante Judith Cárpena, de 22 anos, advertiu os que se opõem à independência catalã: “não cantem vitória, não é o fim do separatismo. O independentismo é liderado pelo povo, e não podem prender todos nós”.

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O advogado de Puigdemont, Paul Bekaert, explicou que ele havia viajado para uma conferência com estudantes na Finlândia no fim de semana e será ouvido nesta segunda-feira por um juiz. A Justiça tem até quarta-feira para decidir se ele deve ser preso ou fica em liberdade condicional.

Sua detenção supõe um novo revés para os independentistas catalães. Na sábado, o Parlamento catalão havia suspendido a posse de um novo governador regional pela prisão do candidato separatista Jordi Turull.

Acusações.

Puigdemont é acusado de ter organizado o plebiscito de autodeterminação da Catalunha em outubro ignorando sua proibição pela justiça espanhola. As imagens das ações policiais daquele dia causaram críticas por uso excessivo de força, mas apesar dos esforços de Puigdemont, nenhum membro da União Europeia apoiou a causa separatista de uma das regiões mais ricas da Espanha. 

Ele foi destituído da presidência catalã pelo governo de Madri e se exilou voluntariamente na Bélgica, onde mora desde então. 

Segundo uma rádio catalã, neste domingo vários membros do Comitês fecharam estradas, causando engarrafamentos, como fizeram nas duas greves realizadas na Catalunha depois da repressão policial de outubro.

Na sexta-feira, o juiz espanhol Pablo Llarena havia confirmado a acusação de “rebelião” contra 13 separatistas catalães, entre eles Puigdemont.

O crime de rebelião pode ser punido com até 30 anos de prisão na Espanha – a Alemanha tem entendimento semelhante –, mas sua aplicação no caso catalão é polêmica porque pressupõe um “levante violento” que, segundo muitos juristas, jamais ocorreu.

A tentativa de independência acabou com a perda de autonomia da Catalunha, agora controlada diretamente pelo governo espanhol. A intervenção continuará até que os separatistas – maioria parlamentar nas eleições regionais de 21 de dezembro – escolham um presidente e ele forme um governo. Se não conseguirem isso até 22 de maio, a região deverá realizar novas eleições. / AFP e REUTERS

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