Polícia britânica adere a protesto antiausteridade

Milhares de policiais britânicos pretendem se juntar a agentes de fronteira e trabalhadores da saúde num protesto nesta quinta-feira contra tetos salariais, reformas previdenciárias e outras medidas de austeridade.

MICHAEL HOLDEN, REUTERS

10 Maio 2012 | 10h22

Os sindicatos preveem que cerca de 400 mil funcionários públicos vão parar, num protesto que deve ser menor que o de novembro, quando a Grã-Bretanha teve sua maior greve dos últimos anos. Ainda assim, será uma importante manifestação de descontentamento, logo depois de o governo levar uma surra em eleições locais.

A rara cena de uma passeata com cerca de 20 mil policiais fora do expediente será particularmente constrangedora para o primeiro-ministro David Cameron, cujo Partido Conservador se orgulha de valorizar a lei e a ordem.

"Primeiro-ministro, as ações falam mais alto que as palavras", disse o sindicato Federação Policial em anúncio de página inteira publicado na quinta-feira em vários jornais.

"Os policiais sentem fortemente que o corte de 20 por cento no orçamento policial, a privatização de tarefas centrais do policiamento e o prosseguimento das mal consideradas reformas policiais pelo governo podem colocar em risco a segurança pública."

Os conservadores e seus sócios de coalizão, o Partido Liberal Democrata, prometeram manter as impopulares medidas de austeridade, apesar dos maus resultados de ambos os partidos nas eleições municipais da semana passada, que refletiram a insatisfação popular com o fato de o país ter voltado à recessão após dois anos de cortes nos gastos públicos.

Vários governos europeus já foram abatidos nos últimos anos por causa de medidas econômicas impopulares -- incluindo, no último fim de semana, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, derrotado em sua tentativa de reeleição.

Nick Herbert, ministro britânico encarregado de questões policiais, defendeu as medidas do governo.

"É muito importante que decisões duras sejam tomadas para lidar com o déficit, e receio que o serviço policial e os agentes policiais não podem ser isentados disso. Realmente não acho que seria justo", disse ele à TV Sky News.

Desde a década de 1990, policiais britânicos são proibidos de fazerem greve. A Federação Policial, que representa 135 mil agentes de baixo escalão na Inglaterra e País de Gales, disse que o protesto de quinta-feira deve ser maior do que o de 2008, quando policiais saíram às ruas num protesto contra o então governo trabalhista por melhores salários.

"Estamos na maré mais baixa que eu consigo lembrar", disse Paul McKeever, presidente da entidade, à Reuters.

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