Polícia da Noruega investiga ataque em mesquita como terrorismo

Autor do ataque foi detido pela polícia carregando várias armas e será investigado também pela morte da meia-irmã; uma pessoa ficou ferida durante tentativa de massacre

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2019 | 13h51
Atualizado 12 de agosto de 2019 | 17h35

A polícia norueguesa anunciou, neste domingo (11), que investigará o ataque ocorrido ontem em uma mesquita nos arredores de Oslo como uma "tentativa de ataque terrorista". "A cartografia que estabelecemos mostra que o autor do ataque tinha posições de extrema direita", declarou uma autoridade policial de Oslo, Rune Skjold, ao se referir ao suspeito, um jovem norueguês na faixa dos 20 anos. "Tinha posições xenófobas, queria semear o terror", acrescentou Skjold, em entrevista coletiva.

A polícia local foi alertada do tiroteio no centro islâmico Al Noor, em Baerum, zona residencial na periferia da capital da Noruega, pouco depois das 16h (horário local). As autoridades norueguesas confirmaram o ataque pelo Twitter. "A polícia tem o agressor sob controle. Nada indica que há mais pessoas envolvidas", disse a polícia após a prisão.

Horas depois do episódio, a polícia encontrou o corpo de uma jovem de 17 anos, que seria meio-irmã do suspeito, em sua residência. Foi aberta uma investigação por homicídio relacionada ao ataque armado contra o templo religioso.

O diretor do centro islâmico, Irfan Mushtaq a Budstikka, declarou à imprensa norueguesa que o autor do ataque era um 'homem branco de capacete e uniforme'. O suspeito invadiu a mesquita com várias armas e abriu fogo, em meio a vários fiéis. O líder religioso contou que chegou ao local pouco depois de ter sido alertado sobre a presença do homem armado e, depois, dirigiu-se à parte de trás do edifício à espera da polícia.

"Vi cartuchos e sangue nos tapetes e vi um dos nossos fiéis, que neutralizava o atirador, coberto de sangue", declarou Mushtaq ao jornal "VG". Segundo ele, o homem que aparentemente neutralizou o atirador tinha 75 anos. A mesquita não tinha recebido nenhuma ameaça antes do tiroteio, acrescentou.

Interrogado à noite pelos investigadores, o suspeito se negou a dar explicações. "Concluímos que estamos diante de um caso de tentativa de ato terrorista", afirmou o policial Rune Skjold. "Trata-se de um jovem norueguês. Vive nas imediações", declarou Skjold, acrescentando que o suspeito era conhecido pela polícia e que podia descrevê-lo como alguém com "antecedentes criminais".

Pouco antes do ataque, uma mensagem que teria sido divulgada pelo suspeito em um fórum na Internet fala de uma "guerra de raças" e presta uma homenagem ao ataque contra duas mesquitas em março na Nova Zelândia. Nesta tragédia, 51 pessoas foram mortas.Ainda não foi possível confirmar a autenticidade da mensagem atribuída ao suspeito.

Histórico de ataques de supremacistas brancos

Esse tiroteio acontece em um contexto de aumento dos ataques realizados por supremacistas brancos, como os episódios recentes registrados nos Estados Unidos e na Nova Zelândia, no início do ano. Na localidade neozelandesa de Christchurch, 51 muçulmanos foram mortos em ataques a duas mesquitas em março passado. O autor do massacre de Christchurch escreveu um manifesto de ódio, no qual explicou ser influenciado por ideólogos de extrema direita, como o assassino neonazista norueguês Anders Breivik.

Em 22 de julho de 2011, Breivik matou 77 pessoas, explodindo uma bomba na sede do governo em Oslo. Na sequência, abriu fogo em uma reunião de jovens trabalhistas na ilha de Utoya. Ele acusou suas vítimas de promoverem o multiculturalismo no país. /EFE e AFP

 

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