Polícia diz que austríaco ameaçou matar a filha com gás

Autoridades revelam que porão em que Elizabeth foi presa por 24 anos tinha sistema para liberar tóxico

Agências internacionais,

01 de maio de 2008 | 13h48

A polícia austríaca revelou nesta quinta-feira, 1, que Josef Fritzl pode ter ameaçado matar com gás sua filha e os filhos que teve com Elisabeth caso tentasse se rebelar contra ele. Helmut Greiner, porta-voz da polícia local, disse à imprensa que o técnico eletricista aposentado de 73 anos advertiu Elisabeth, seqüestrada e violentada por quase 24 anos, que, se "ocorresse algo" com ele, o porão se encheria de gás.   Fritzl trabalhou no Brasil, diz jornal da Áustria Fritzl passava horas no porão todos os dias, diz cunhada Austríaco imitou voz de filha em telefonema para a mulher Polícia austríaca diz não ter indícios de cúmplice de Fritzl Josef Fritzl teria sido preso por estupro nos anos 70 Filhos de austríaca presa em porão se encontram em hospital Um drama no campo do inenarrável    Este é o detalhe mais recente do caso, que comoveu o mundo inteiro e é considerado o crime mais grave da história da Áustria. Uma cunhada do acusado também denunciou nesta quinta em entrevista ao jornal Österreich que Fritzl descia "todas as manhãs às 9 horas ao porão supostamente para fazer projetos de máquinas que queria vender".   "Às vezes, também passava a noite toda ali. Agora sabemos o porquê", acrescentou a cunhada de Fritzl, se referindo aos sistemáticos abusos sofridos por Elisabeth, de 42 anos. "Josef era um déspota. Sempre o odiei", disse ao jornal austríaco, destacando que, há 40 anos, Fritzl foi preso por abusar de uma mulher, "isso quando já tinha quatro filhos com minha irmã".   A polícia austríaca disse ainda não ter indícios de que Josef Fritzl tivesse um cúmplice, apesar das fortes suspeitas de que ele não teria agido sozinho. Segundo a BBC, as suspeitas foram levantadas pelo conhecimento de fatos como o de que Fritzl passava regularmente algumas semanas por ano de férias na Tailândia. Nesses períodos ele não poderia ter fornecido alimentos para a família que mantinha no porão. Mas a polícia disse que a alimentação era garantida durante essas semanas graças a existência de aparelhos adequados no cativeiro. Outro fato que levantou suspeitas da existência de um cúmplice foi a forma como a polícia acabou chegando a Fritzl: através de uma denúncia anônima, feita por alguém que parecia estar informado sobre o caso.   O aposentado, que permanece em prisão preventiva, confessou, após ser detido no sábado, ser o pai dos sete filhos de Elisabeth nascidos no porão em condições subumanas, dos quais um morreu com três dias de vida. Fritzl também viajou duas vezes de férias à Tailândia e deixou sua filha sozinha durante semanas no cativeiro subterrâneo com três de seus filhos. Isso foi narrado por um amigo alemão de Fritzl que o conhecia desde 1973 e que o acompanhou duas vezes à Tailândia, informou o jornal Bild em seu site.   O possível dano para a imagem do país no exterior se transformou em preocupação inclusive da alta esfera política da república alpina, a apenas um mês do início da Eurocopa, que será realizada na Áustria e na Suíça. Por ocasião do Dia do Trabalhador, o primeiro-ministro austríaco, Alfred Gusenbauer, afirmou nesta quinta que seu governo "não permitirá que o país inteiro, toda a população seja tomada como refém de um criminoso impiedoso". "Vamos defender a imagem de nosso país, queridos amigos", disse Gusenbauer em Viena.   A polícia tinha feito um apelo na imprensa por informações sobre o paradeiro da mãe de Kerstin, de 19 anos, que estava internada em coma em um hospital. Os médicos queriam detalhes sobre o histórico da filha e acreditavam que estes poderiam ser fornecidos pela mãe. Até este momento, a polícia suspeitava que Elisabeth, a mãe, estaria pertencendo a uma seita - segundo a versão divulgada pelo pai, Josef.   Quando Elisabeth chegou ao hospital no sábado passado, acompanhada do pai, foi detida pela polícia, que queria interrogá-la pelo fato de ter abandonado três filhos. Foi depois do depoimento de Elisabeth que a policia resolveu prender o pai, Josef. A polícia tinha sido avisada de que Elisabeth estava a caminho do hospital no sábado por meio de uma denúncia anônima.   As autoridades disseram que conhecem a identidade do informante, mas que não estão tratando essa pessoa como suspeita. "Saber da existência de um crime não é a mesma coisa que ser cúmplice. O informante pediu para permanecer anônimo e respeitaremos isto", disse Polzer.   No início desta quinta-feira, o foco do interesse da imprensa internacional se transferiu da casa de Josef Fritzl para a clínica psiquiátrica Amstetten-Mauer, onde os outros membros da família estão sendo mantidos. Eles ocupam uma área reservada no local, sem contato com outros pacientes. O chefe da clínica, Berthold Kepplinger, disse que mãe e filha estão se entendendo muito bem e que o estado de saúde de Elisabeth e de dois dos três filhos que viviam com ela no cativeiro é "relativamente bom". A filha mais velha, Kerstin Fritzl, continua internada em coma.

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