Zakaria Abdelkafi / AFP
Zakaria Abdelkafi / AFP

Mais de 200 são presos em marcha em Paris durante confronto entre polícia e militantes radicais

Forças de segurança francesas usaram gás lacrimogêneo para dispersar centenas de black blocs; mais de 7,4 mil policiais foram mobilizados na capital francesa para acompanhar as manifestações dos coletes amarelos

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2019 | 09h15
Atualizado 02 de maio de 2019 | 10h52

PARIS - Policiais franceses entraram em confronto com militantes radicais na manhã desta quarta-feira, 1.º, em Paris, pouco depois do início da tradicional passeata do Dia do Trabalho, sob forte esquema de segurança. As tradicionais manifestações da data, geralmente pacíficas e dedicadas a reivindicações salariais, acontecem desta vez sob tensão.

A tensão aumentou quando a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar centenas de black blocs - militantes anticapitalistas e antifascistas vestidos de preto e com o rosto coberto. Um manifestante foi ferido na cabeça, segundo um jornalista da Agência France-Presse. Até o momento, mais de 200 pessoas foram presas. Segundo a emissora France Info, entre os detidos há três espanhóis que portavam artefatos incendiários e objetos que poderiam servir como armas.

Os enfrentamentos começaram às 13h (8h em Brasília) perto do restaurante La Rotonde, que foi protegido com tapumes. Mais de 7,4 mil policiais foram mobilizados na capital francesa para as manifestações, onde acredita-se que haverá entre "1 mil e 2 mil militantes radicais", segundo o ministro do Interior, Christophe Castaner.

Desde a madrugada, vários policiais começaram a revistar pessoas aleatoriamente nas proximidades da estação de Saint-Lazare, no centro de Paris. Macron exigiu na terça-feira que a resposta aos black blocs fosse "extremamente firme" em caso de violência, após os pedidos nas redes sociais para transformar a cidade na "capital dos distúrbios".

Em 2018, cerca de 1,2 mil militantes radicais prejudicaram a manifestação em Paris com atos violentos, com lojas vandalizadas e veículos queimados. 

Embora estejam previstas manifestações em toda a França, a atenção está voltada para a capital, muitas vezes palco de incidentes desde o início dos protestos dos coletes amarelos. O movimento, que desde meados de novembro sai às ruas aos sábados para protestar contra a política fiscal e social do governo, também está presente nesta quarta-feira. Ao longo dos últimos meses, ele perdeu força à medida que se radicalizou, com distúrbios violentos à margem das manifestações.

Sindicatos em busca de visibilidade

Entre os black blocs e os coletes amarelos, os sindicatos esperam recuperar a visibilidade por meio de vários comícios e uma manifestação que começou de manhã saindo de Montparnasse até a Place d'Italie, no sul da capital. "O primeiro de maio tem que agrupar todos aqueles que vêm se manifestando há meses e meses (...) para dizer que a política social tem que ser mudada", disse Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, um dos principais sindicatos franceses.

A marcha deve passar em frente ao famoso restaurante La Rotonde, um símbolo do poder desde que Macron comemorou ali sua ida ao segundo turno das eleições presidenciais de 2017. Os proprietários do local admitiram na terça-feira estarem um pouco nervosos, considerando como ficou o famoso Fouquet's da avenida Champs-Élysées, saqueado e queimado no dia 16 de março durante uma manifestação dos coletes amarelos.

"Não temos medo das passeatas sindicais, mas dos coletes amarelos e dos black blocs", disse Serge Tafanel, cujo restaurante permanecerá fechado a pedido da polícia, assim como todas as lojas localizadas na rota da marcha.

No total, 190 motocicletas circulam perto das manifestações para permitir que as forças de segurança se movam rapidamente. Drones também são usados para monitorar a situação, segundo o ministro do Interior. / AFP, EFE e AP

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