Polícia encontra nota suicida de atirador finlandês

Luto e bandeiras a meio mastro marcam tragédia no país; autoridades negam ligação entre as vítimas do tiroteio

Agências internacionais,

08 de novembro de 2007 | 11h59

O estudante de 18 anos que matou oito pessoas, incluindo cinco meninos, duas meninas e a diretora de uma escola de Tuusula, a 50 quilômetros de Helsinque, capital da Finlândia, deixou um bilhete antes de abrir fogo no colégio e tentar suicídio. Na mensagem, ele se despede da família e deixa uma mensagem "indicando suas pretensões contra a sociedade", disse o porta-voz da polícia, Goran Wennqvist.  Veja também:Atirador mata pelo menos oito em escolaSuposto atirador queria fazer seleção natural Vídeo do suposto atirador  Veja as imagens   O assassino, o garoto Pekka-Eric Auvinen, anunciou o massacre em um vídeo intitulado Jokela High School Massacre ("O Massacre do Colégio Jokela"), colocado horas antes no site YouTube. Segundo a polícia local, o adolescente aparentemente abriu fogo indiscriminadamente, segundo um alto representante da polícia declarou nesta quinta-feira, 8.   Após atirar contra as pessoas no colégio, o atirador tentou se matar com um tiro na cabeça, mas os policiais ainda conseguiram levá-lo com vida para um hospital da região. Cerca de três horas depois, no entanto, Auvinen morreu. "Podemos afirmar que o motivo do crime ainda está em aberto", disse o detetive superintendente Tero Haapala para a Associated Press. "Porém, a explicação mais plausível pode ser encontrada em seus textos na internet e seu comportamento".Haapala disse ainda que não há ligações diretas entre as vítimas e o assassino, o que indica que ele não as escolheu. Pelo menos 12 pessoas foram feridas pelos disparos feitos com a pistola calibre .22, enquanto tentavam fugir do prédio.  Nesta quinta, estudantes colocaram velas ao redor do colégio em que aconteceu o ataque enquanto especialistas forenses tentam reconstituir o tiroteio que espalhou pânico entre os alunos e professores. Bandeiras tremulavam a meio mastro na quinta-feira, na Finlândia, em sinal de luto pelas oito pessoas mortas.  Uma tragédia de tal magnitude em um país normalmente tranqüilo como a Finlândia fará com que os finlandeses repensem sua campanha de oposição a um projeto da União Européia (UE) para tornar mais rígidas as leis de porte de arma em relação a pessoas jovens, disse à Reuters um membro do gabinete de governo. Apesar de o país possuir o terceiro maior índice de armas per capita do mundo, os incidentes fatais com esse tipo de armamento são raros. Tragédia anunciada Nos últimos meses, Auvinen postou cerca de 80 vídeos, mas nenhum tão macabro quanto o último, de 1min 17s, que misturava uma foto da escola e outras duas de um garoto segurando uma pistola. A trilha sonora era a música Stray Bullet, da banda alemã de rock industrial KMFDM. Músicas da mesma banda foram colocadas na internet por Eric Harris, um dos garotos que realizaram o massacre de Columbine, nos Estados Unidos, em 1999. No perfil do usuário dos vídeos postados por Auvinen havia frases como "já tive o bastante", "estou disposto a morrer pela minha causa" e "não quero fazer parte desta sociedade". Todos os vídeos postados por ele foram retirados do ar logo após o massacre. Apesar das semelhanças com outros massacres, como o de Columbine, de Erfurt, na Alemanha, em 2002, e de Virginia Tech, em abril, a tragédia de quarta tem alguns componentes locais. O inverno nórdico isola completamente os jovens finlandeses uns dos outros. A maioria vive em pequenas cidades, distantes umas das outras, e gastam boa parte do tempo no caminho para a escola. A depressão clínica é comum e a taxa de suicídio, alta. Às vésperas do inverno, os estudantes quase não vêem a luz do dia. Entram e saem da escola na escola na escuridão da noite. Freqüentar a casa dos amigos de colégio é um luxo reservado para o verão. Assim, a amizade torna-se virtual. A internet, principalmente o site YouTube, é o substituto da televisão, hábito reservado para as pessoas mais velhas. Cerca de 75% dos finlandeses usam a internet.

Tudo o que sabemos sobre:
Finlândiatiroteio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.