Polícia grega enfrenta manifestantes durante visita de Merkel

A polícia grega lançou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra manifestantes no centro de Atenas que tentaram ultrapassar uma barreira de segurança e alcançar a chanceler alemã, Angela Merkel, que visita o país nesta terça-feira.

NOAH BARKIN E KAROLINA TAGARIS, Reuters

09 de outubro de 2012 | 11h37

Dezenas de milhares de manifestantes desafiaram a proibição a protestos e reuniram-se na praça Syntagma para expressar descontentamento com a líder alemã, a quem muitos culpam por forçar dolorosas medidas de austeridade à Grécia em troca de dois pacotes de resgate da UE e FMI, que somam mais de 200 bilhões de euros.

Alguns atiraram pedras, garrafas e paus contra a polícia, e tentaram passar pela barricada colocada para proteger Merkel, que se reunia com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, no gabinete dele a muitas centenas de metros de distância.

A polícia deteve dezenas de manifestantes durante o evento, que foi um dos maiores protestos em meses no país.

Os protestos estavam proibidos na maior parte do centro de Atenas e 6 mil policiais estavam de prontidão, incluindo unidades antiterroristas e franco-atiradores nos telhados, para garantir a segurança durante a primeira visita de Merkel desde que a crise da zona do euro surgiu na Grécia, no final de 2009.

"Merkel deveria ir para casa. Por que ela está aqui? Ela já nos feriu o suficiente", disse Mina Botsi, de 50 anos, mãe de dois filhos que está desempregada. "A única coisa que ela quer é mais e mais austeridade. Nós não aguentamos mais."

A líder alemã tem várias razões para ir agora. Ela quis mostrar apoio ao primeiro-ministro grego Samaras, um colega conservador que luta para impor mais cortes a uma sociedade desgastada depois de cinco anos de recessão paralisante.

Em uma coletiva de imprensa conjunta, Merkel elogiou o governo grego pelo que ela descreveu como sucessos importantes nas reformas, mas disse que mais trabalho é necessário para reduzir a montanha de dívida do país e restaurar a competitividade.

"Muito foi conquistado", disse Merkel.

Samaras afirmou que os gregos estavam "sangrando", mas que se prenderão às promessas de reforma e que estão determinados a continuar no euro.

Professores, médicos e outros funcionários públicos paralisaram as atividades nesta terça-feira em um gesto de protesto, enquanto os sindicatos e os partidos políticos da oposição disseram que tomariam as ruas.

Na véspera da visita, milhares de sindicalistas reuniram -se na Praça Syntagma, diante do prédio do Parlamento grego, agitando bandeiras nacionais. Dentre as faixas estavam palavras de ordem que incluíam: "Não chore por nós, Angela" e "Angela, você não é bem-vinda."

(Reportagem adicional de Tatiana Fragou, Lila Chotzoglou, Renee Maltezou, Daphne Papadopoulou e Dina Kyriakidou, em Atenas,e Tom Kaeckenhoff, em Bonn)

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