Polícia grega ignora ataques a imigrantes, diz ONG

Gangues de gregos estão regularmente atacando imigrantes impunemente em todo o país, e as autoridades estão ignorando ou desestimulando as vítimas a apresentar queixas, disse a entidade de direitos humanos Human Rights Watch nesta terça-feira.

DEE, Reuters

10 de julho de 2012 | 10h03

A Grécia é um importante ponto de entrada para imigrantes clandestinos que chegam à União Europeia procedentes da Ásia e da África, e a imigração ilegal se tornou um tema central no país, que enfrenta sua pior crise econômica desde a 2a Guerra Mundial. Muitos gregos acusam os estrangeiros pela alta na criminalidade e por se aproveitarem de serviços públicos subsidiados.

"Migrantes e candidatos a asilo falaram à Human Rights Watch sobre virtuais áreas proibidas em Atenas depois que está escuro, por medo de ataques por parte de grupos de gregos muitas vezes vestidos de preto e interessados na violência."

"Embora turistas sejam bem-vindos, migrantes e candidatos a asilo enfrentam um ambiente hostil, onde podem ser alvo de detenção em condições desumanas e degradantes, e correm o risco de destituição e de violência xenófoba."

A HRW disse que a dimensão do problema não é conhecida, porque muitas vítimas não denunciam os crimes, e as estatísticas governamentais não são confiáveis.

O grupo disse ter entrevistado 59 pessoas que sofreram ou escaparam de algum incidente racista entre agosto de 2009 e maio deste ano. Isso incluía 51 ataques sérios, e duas das vítimas estavam grávidas.

A maioria dos ataques ocorreu à noite, em praças de cidades pequenas ou seus arredores. Os agressores geralmente usavam roupas escuras, cobriam os rostos com panos ou capacetes e atacavam com porretes, garrafas de cerveja ou com os próprios punhos, disse a HRW.

Muitas das vítimas disseram à entidade que a polícia desencorajava qualquer queixa, e que em alguns casos os estrangeiros eram ameaçados de prisão se insistissem em pedir uma investigação.

A HRW disse também que há sinais de que os agressores são ligados a grupos locais de "vigilantes" ou ao partido ultradireitista Aurora Dourada, que neste ano obteve vaga parlamentar pela primeira vez em sua história.

A ONG disse, no entanto, que não há provas de que o partido, que nega ter ideologia neonazista, teria orientado seus simpatizantes a realizarem as agressões.

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