Polícia grega prende 32 suspeitos de causar incêndios

Piores incêndios florestais da história da Grécia provocaram a morte de pelo menos 63 pessoas em quatro dias

BBC Brasil,

27 de agosto de 2007 | 14h51

A polícia da Grécia prendeu 32 pessoas suspeitas de provocar os incêndios florestais que mataram pelo menos 60 pessoas no país.Galeria de fotos do incêndio  A investigação sobre as causas dos incêndios continua e o governo da Grécia ofereceu recompensas de até 1 milhão de euros (cerca de R$ 2,6 milhões) para quem ajudar na captura dos incendiários. O correspondente da BBC em Atenas, Malcolm Brabant, afirmou que a polícia e os serviços secretos querem descobrir se existe alguma ligação entre os suspeitos de causar os incêndios ou se eles são parte de uma campanha organizada. Um importante promotor grego ordenou um inquérito para descobrir se os ataques incendiários podem ser considerados terrorismo e os responsáveis levados a julgamento segundo as leis gregas de combate ao terrorismo. Tratar os incêndios criminosos como um ato de terrorismo daria às autoridades poderes maiores para investigação e prisões. Soldados estão patrulhando bairros afastados para tentar capturar incendiários em flagrante, e esquadrões de combate ao terrorismo estão interrogando alguns suspeitos. Equipes de emergência e aeronaves de combate a incêndios de outros países (Itália, França e Canadá) se juntaram ao combate aos incêndios no país. Mais ajuda internacional ainda é esperada. Novos focos continuaram surgindo: os bombeiros tiveram que combater 63 novos incêndios no domingo no que as autoridades qualificaram de "desastre sem precedentes". As ruínas da antiga Olímpia, berço das Olimpíadas, também foram ameaçadas pelos incêndios, mas os bombeiros conseguiram manter o fogo à distância.  O ministro da Cultura, George Voulgarakis, foi a Olímpia, na península do Peloponeso, a oeste de Atenas, para supervisionar a operação de emergência. "Todas as pessoas, os bombeiros, os policiais, os voluntários, combateram o fogo e o museu está como estava (antes)", afirmou. "Os incêndios estão ativos em mais da metade do país. Isto é, definitivamente, um desastre sem precedentes para a Grécia", disse Nikos Diamandis, porta-voz do corpo de bombeiros grego, à agência de notícias Associated Press. A recompensa anunciada pelo governo grego é para qualquer pessoa que der informações que levem à prisão de um incendiário. "A recompensa foi fixada entre 100 mil e 1 milhão de euros para cada incêndio deliberado, dependendo da ocorrência de mortes ou ferimentos graves, e das dimensões dos danos", disse o anúncio oficial. Há suspeitas de que os incêndios podem ter sido provocados como forma de burlar leis gregas que proíbem construções em áreas designadas como florestais. Peloponeso Focos de incêndio também afetaram o Peloponeso e regiões em torno de Atenas e da ilha de Evia. No domingo, cinco corpos foram encontrados em Evia, no norte da capital grega, Atenas. A capital foi coberta de fumaça, que ocultou o sol. Vários focos de incêndio ameaçaram subúrbios da cidade. O primeiro-ministro da Grécia, Costas Karamanlis, declarou estado de emergência nacional e disse que o país tem que "mobilizar todos os meios e forças para enfrentar o desastre". Segundo a Associated Press, bombeiros enviaram nesta segunda um helicóptero em uma tentativa de resgatar pessoas presas pelas chamas em um povoado no sul da Grécia em um momento no qual dezenas de focos de incêndio disseminam-se sem controle pelo país. O helicóptero de resgate foi enviado ao povoado de Frixa, no oeste do Peloponeso. A região foi devastada pelos incêndios dos últimos dias. "Temos um problema. Pessoas estão ficando presas", disse uma porta-voz do Corpo de Bombeiros. De acordo com ela, também há 11 pessoas encurraladas pelas chamas em Aigialia, no norte do Peloponeso.

Tudo o que sabemos sobre:
Gréciaincêndioprisão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.