Dmitry Lovetsky/AP
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Polícia impede nova manifestação contra Putin na Rússia

Mais de mil pessoas já foram presas nos protestos e marchas contra o premiê e o seu partido

Reuters

07 de dezembro de 2011 | 18h53

MOSCOU - Intimidados pela ostensiva presença policial, opositores do primeiro-ministro Vladimir Putin desistiram de realizar novos protestos contra supostas fraudes na eleição parlamentar russa do fim de semana, vencida pelo partido governista Rússia Unida.

 

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Mais de mil pessoas já foram presas em atos contra o governo nos últimos dias. Somando sua voz à dos manifestantes, o último líder soviético, Mikhail Gorbachev, disse que o pleito de domingo foi "uma mentira", e deveria ser repetido.

 

Mas, ignorando os protestos, Putin preencheu documentos necessários para se candidatar novamente à presidência em 2012. Político mais influente da Rússia, ele já ocupou esse cargo entre 2000 e 2008, quando entregou a presidência ao seu afilhado político Dmitri Medvedev e se tornou premiê.

 

Na terça-feira, a polícia dispersou manifestantes no centro de Moscou e deteve mais de 300 pessoas que tentavam chegar ao comício. Diante disso, ativistas da oposição convocaram uma nova manifestação para a quarta-feira no mesmo local.

 

Mas centenas de agentes com capacetes bloquearam o acesso à praça após o anoitecer, afastando jornalistas e gritando por meio de alto falantes: "Respeitados cidadãos, por favor não parem, circulem para não atrapalhar os outros".

 

Três jovens saíram de uma estação de metrô dos arredores gritando "Queremos eleições livres!". A tropa de choque tratou de colocá-los em um entre dezenas de ônibus e caminhões da polícia enfileirados nas ruas vizinhas. Em São Petersburgo, cerca de 250 pessoas protestaram, a maioria jovens, aos gritos de "Vergonha!". A polícia fez cerca de 70 detenções.

A oposição tenta manter a mobilização popular depois de reunir na segunda-feira à noite cerca de 5 mil pessoas em Moscou, no maior protesto contra o governo na capital em vários anos, sob o slogan "Rússia sem Putin".

A polícia e um porta-voz do primeiro-ministro disseram que protestos não autorizados serão impedidos. O Ministério do Interior disse que cerca de 50 mil policiais e 2 mil agentes das forças especiais do ministério continuaram em Moscou depois da eleição.

Eleições

Putin é favorito para conquistar um mandato presidencial de seis anos em 2012, com a possibilidade de ser reeleito para outros seis em 2018. Mas a eleição parlamentar - em que a bancada do Rússia Unida encolheu de 315 para 238 deputados - sinalizou um desgaste do sistema político implantado por ele, do qual muitos russos se sentem alienados.

De acordo com os resultados oficiais, o Rússia Unida recebeu 49,4% dos votos, mas a oposição diz que a cifra foi inflada por fraudes, como a colocação nas urnas de votos falsificados a favor do partido governista.

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